Jornal Estado de Minas

Tempo de novas aprendizagens

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Valéria Silva Freire de Andrade
Professora, psicóloga e coordenadora do curso de pós-graduação em psicologia e educação na contemporaneidade do IEC PUC Minas

Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda (Paulo Freire).



Nesse momento assombroso que estamos vivendo, as palavras de Paulo Freire ressoam no pensamento e nos convocam a refletir na responsabilidade da educação na sociedade atual. A capacidade de realizar e compartilhar aprendizagens, desde os primórdios da história da humanidade na Terra, foi essencial para que conseguíssemos sobreviver como espécie em meio a tantas outras espécies mais fortes que compartilharam conosco a luta pela vida neste planeta. Graças às aprendizagens, construídas e compartilhadas entre os sapiens – por meio das instituições educacionais, a partir da Modernidade –, o ser humano sobreviveu e se espalhou por todo o planeta.

A educação, em sua melhor versão, sempre foi um espaço privilegiado para pensar e transformar a sociedade na direção de um mundo que tenha o bem comum como seu maior objetivo. Nesse percurso, nem sempre construímos mundos pautados pelos critérios de igualdade e justiça sociais. A pandemia que vivenciamos atualmente coloca o desafio de novas aprendizagens. O momento é de pausa e de reflexão. Nesse momento doloroso para toda a humanidade, é importante que as aprendizagens não deixem de acontecer, assim como o pensamento não deixe de circular. Essa é a nossa força. E a instituição educação continua sendo um lugar privilegiado para fazer circular o pensamento e, por que não?, os afetos. Porque o pensamento do qual necessitamos é aquele que convoca à vida, à solidariedade e aos bons encontros; portanto, indissociável dos afetos.

A universidade é o lugar profícuo para o exercício do pensamento e para a construção de aprendizagens necessárias para a transformação do mundo. Que as ciências humanas, sociais, exatas, biológicas, físicas, matemáticas, enfim, todas elas, sejam postas a serviço do bem comum e que as aprendizagens não deixem de acontecer. Precisamos refletir sobre o mundo para o qual queremos voltar quando isso tudo passar. Precisamos sair dessa mais fortes e preparados para lutar por um mundo melhor. Neste momento, em que estarmos juntos presencialmente é impossível e perigoso, a tecnologia é um canal pleno de vida, de pensamento, de aprendizagens e de afetos. Que ela seja muito bem-vinda; ela nos permite conexões para que continuemos a pensar e contribuir para a construção de um mundo melhor. Juntos.