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Estado de Minas EDITORIAL

Mercosul mais fraco

A medida adotada, unilateralmente, pela Argentina, é um contraponto às posições de alguns sócios, como o Brasil


postado em 29/04/2020 04:00


O Mercosul (Mercado Comum do Sul), que já vinha enfrentando problemas nos últimos anos, sem dúvida se enfraquece com decisão unilateral da Argentina de se retirar de quaisquer negociações em curso de acordos comerciais do bloco, formado, também, por Brasil, Paraguai e Uruguai. Os meios diplomáticos se surpreenderam com o anúncio de que o país vizinho não participará mais das conversas com outras nações ou outros blocos econômicos, mas reservando-se o direito de voltar às negociações no momento em que assim desejar. A praxe na diplomacia é que decisões como a dos argentinos são precedidas de comunicação prévia aos parceiros, para tomada de decisão conjunta.

O que surpreende é que um dos pilares do Mercosul – idealizado para aproximar economicamente as nações do Cone Sul do continente americano – foi atingido gravemente pelo governo do presidente Alberto Fernández. Isso porque os acordos comerciais com outros países ou grupo de países têm de ter a aprovação de todos os signatários do Tratado de Assunção, firmado em 1991. A questão é que a Argentina deveria ter formalizado oficialmente a sua decisão de se retirar das tratativas com outros possíveis parceiros. E o fato é que os integrantes do Mercosul poderão recorrer a instâncias jurídicas se se sentirem prejudicados, o que pode enfraquecer ainda mais o bloco.

A alegação dos argentinos é de que, atualmente, o foco tem de estar centrado no combate à pandemia do novo coronavírus e suas consequências sociais e econômicas. Nota oficial ressalta a necessidade de o governo se concentrar nas ações econômicas para preservar empregos, garantir o funcionamento das empresas e socorrer as parcelas da população mais carentes, além do combate à própria COVID-19. No comunicado, informa, ainda, que a decisão não interfere nos tratados já firmados com a União Europeia (ainda têm de ser homologados pelos parlamentos dos signatários) e com a Associação Europeia de Livre Comércio (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein).

No entanto, especialistas em comércio internacional entendem que a medida adotada, unilateralmente, pela Argentina, é um contraponto às posições de alguns sócios, como o Brasil, no sentido de acelerar as negociações de acordo de livre- comércio com o restante do mundo. Também enxergam uma maneira de o governo de Fernández se distanciar, politicamente, de Brasília, que defende, com insistência, a abertura comercial do Mercosul, o que é coerente com a política econômica liberal do ministro Paulo Guedes.

A medida adotada pelos argentinos pode beneficiar o Brasil, que tem tentado uma maior flexibilização das regras do bloco para que seus membros possam fechar acordos com outros países sem a necessidade do aval dos parceiros do Cone Sul. O país ficaria livre das amarras impostas pelo Mercosul na sua tentativa de incrementar as trocas comerciais externas, o que só ajudaria na difícil tareda de retomada da economia depois do desastre do novo coronavírus.



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