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Estado de Minas

Bolsonaro se cansou. Moro exagerou


postado em 27/04/2020 04:00

Fábio P. Doyle
Da Academia Mineira de Letras
Jornalista

Duas colunas de respeitabilidade e competência comprovadas, ferro e concreto da melhor qualidade, as mais sólidas e indispensáveis que se poderia erguer para sustentar um governo, garantiram ao presidente Jair Messias Bolsonaro, eleito com mais de 57 milhões de votos, a tranquilidade necessária para assumir, montar e gerir o país, quebrado e falido por gestores corruptos, especialmente nos primeiros meses depois da sua posse, em janeiro de 2019. Sexta-feira, uma das colunas ruiu de forma surpreendente e ruidosa.

Não seria necessário traduzir o que se acaba de ler. Todos sabem os nomes dos dois sustentáculos, Sérgio Moro e Paulo Guedes. O primeiro, já ruiu. O segundo estaria para seguir o seu companheiro, dizem petistas, comunistas supostos analistas da política brasileira. Análise que não parece se confirmar, pois Guedes compareceu, e aplaudiu, estava na primeira fila, o pronunciamento de Bolsonaro sobre o episódio Moro/PF. Falando com fluência, de improviso, demonstrando certa tensão, o presidente respondeu às críticas que lhe foram feitas, muitas delas graves e indevidas, pelo agora seu ex-ministro da Justiça.

Moro, 22 anos de magistratura, sem nenhuma mancha em seu currículo, respeitado e aplaudido em todo o país pelo seu rigor, pela sua correção, pela condução firme e isenta da chamada Operação Lava-Jato, a que puniu dezenas de corruptos, servidores públicos, empresários, lideranças políticas famosas, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em decisão certamente de risco, para assumir o cargo de ministro do governo Bolsonaro, renunciou à magistratura, abriu mão de seus 22 anos de carreira.

Tudo acabou na sexta-feira, dia 24. Ao ler o Diário Oficial na manhã daquele dia, Moro, que já conversara com o presidente na véspera, quando discordou da substituição, pretendida pelo presidente, do diretor da Polícia Federal, seu amigo e companheiro desde os tempos de Curitiba, foi surpreendido com a publicação do ato de demissão. O que lhe restava fazer? Pedir demissão do Ministério da Justiça. Foi o que fez, dizendo, em entrevista coletiva à imprensa. Exagerou nas críticas a Bolsonaro, entrando em detalhes de assuntos que deveriam ser sigilosos, o que foi considerado quebra lamentável de ética. Daí, todos perguntam: seu afastamento terá consequências?.

Temos que esperar a poeira baixar. Quem pode afirmar, no caso, quem está com a razão, quem está certo. Difícil, no momento, ainda com a fumaça no ar, responder. Acho que Bolsonaro se precipitou ao provocar o problema em plena crise política e de saúde. Ele é impaciente e não sabe se conter quando irritado. Ele acusa a Polícia Federal de ter se omitido na investigação e apuração do atentado que sofreu quando ainda candidato. O inquérito ficou a cargo da Polícia Civil do Rio de Janeiro e foi arquivado sob a alegação de que o criminoso teria dado as facadas em momento de insanidade, vítima de um surto psicótico. E que agiu por conta própria. O que não deve corresponder à verdade, pois quatro advogados foram contratados no mesmo dia para defendê-lo. Quem pagou os honorários altíssimos?

A PF, acusa Bolsonaro, errou em não abrir uma investigação rigorosa, responsável, sobre o crime. Ele tem razão. Afinal, a vítima era um candidato eleito presidente da República. Moro, ministro da Justiça, reclamam os bolsonaristas, poderia ter determinado ao diretor do órgão a apuração imediata da tentativa de morte. Moro nada fez, nada disse. Permaneceu calado e mudo, para espanto geral, como se nada tivesse com a questão. Bolsonaro, naturalmente, guardou a insatisfação, acumulada com outras mais, e agora explodiu.

Daí a sugestão. Lamento a demissão de Moro, que sempre admirei. Mas entendo a insatisfação do presidente e a decisão dele, legítima e legal, de trocar o comando da PF. E estranho, também, a reação exagerada e aética do ex-ministro. Escrevo na sexta-feira. Vamos esperar a poeira baixar e aguardar o que ainda está para acontecer. Esperamos que aconteça o que todos desejamos: paz, tranquilidade, harmonia. O resto virá por acréscimo.


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