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Coronavírus: gravidez na pandemia


postado em 24/04/2020 04:00

Waldemar Carvalho
Ginecologista e obstetra da Clínica Tempo Fértil, especializado em reprodução humana no Portland Fertility Center de Londres, Inglaterra
 
Com o surto do novo coronavírus, mais conhecido como COVID-19, os números de casos vêm crescendo exponencialmente. O que torna a compreensão dos modos de infecção e prevenção um desafio e aprendizado diários. São inúmeras as dúvidas que surgem ao decorrer dos dias e, muitas vezes, o clima que prevalece é de medo, principalmente para aquelas que estão gerando vidas: as gestantes.

Para a maioria delas, principalmente as mamães de primeira viagem, o nascimento do filho é um dos episódios mais emocionantes de sua vida. Mas o que fazer quando esse momento é acompanhado por uma pandemia mundial de um vírus altamente contagioso, do qual ainda estamos em processo de estudo?

Diante de tal situação, é normal que muitas gestantes se sintam inseguras ou até com medo dos próximos passos. Muitas me perguntam qual a influência da COVID-19 durante a gravidez e até mesmo depois dela, desde o pós-parto até o estabelecimento de laços, como começar a amamentar.

A resposta é simples e um tanto tranquilizadora. Por enquanto, pouco se sabe acerca do impacto dessa infecção, mas há relatos de mães testadas positivo que geraram seus bebês livres do vírus. Existem estudos em andamento que analisam o impacto direto do coronavírus na gravidez, mas não há precisão de dados que comprovam se a COVID-19 dificulta ou não a gravidez, bem como se interfere no desenvolvimento e saúde do feto ou após o nascimento do bebê. Ou seja, ainda não há evidências de que as gestantes correm mais riscos de contrair o vírus do que a população em geral.

Posso apontar um exemplo sobre isso. Pesquisa realizada durante os dias 13 a 25 de março, pelo Centro de Medicina da Universidade de Columbia, em Nova York, EUA, revelou que, entre 43 grávidas que participaram do estudo, 37 (86%) tinham sintomas leves, quatro (9,3%) sintomas graves e duas (4,7%) apresentaram quadro crítico. Também não foram detectados casos confirmados em neonatos após teste inicial no primeiro dia de vida.

Entretanto, todo cuidado é pouco. Costumo dizer que gestantes e até as puérperas – mulheres que deram à luz recentemente – fazem parte de "grupos de riscos", até porque a condição da gravidez – e até mesmo depois do parto – exige uma série de cuidados em relação à não gestante, por exemplo, que, quando não seguidos, podem acarretar, diretamente, na imunidade da mulher, podendo gerar problemas de saúde. E com o coronavírus a situação não é diferente: é preciso redobrar esses cuidados comuns da gravidez e seguir, rigorosamente, as medidas de segurança preconizadas pelo Ministério da Saúde em relação à pandemia.

Os órgãos institucionais de reprodução humana e obstetrícia reforçam as medidas básicas de prevenção divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A principal orientação é manter o isolamento social, saindo apenas em casos de urgências. Atualmente, a gestante pode recorrer a recursos tecnológicos para manter contato com o seu obstetra, inclusive para consultas, como a videoconferência. Nos casos de necessidade de exames de rotina, há laboratórios que disponibilizam o serviço em home care. Além disso, se houver a necessidade de exames como ultrassonografia, por exemplo, pode ser alinhado com o obstetra a possibilidade de postergar ou as orientações necessárias para ir até uma clínica realizá-lo. Minha orientação é analisar caso a caso, sempre em comum acordo entre médico e paciente.

Além disso, redobrar as medidas de precaução que são divulgadas pela mídia. É extremamente importante manter a higienização das mãos, preferencialmente com água e sabão, e se achar necessário, usar o álcool em gel. Em casos de contatos externos, também é importante o uso da máscara, tanto pela mãe quanto para outros familiares, para proteção do bebê.

Para o período de amamentação, as mães também podem ficar tranquilas. Podem amamentar normalmente, pois também não há comprovação de que esse vírus pode ser transmitido pelo leite materno. De qualquer modo, é preciso cumprir as regras de higiene e entender que nesse momento o isolamento social é fundamental.

Mesmo para as gestantes que estão na reta final, não é preciso ter ansiedade ou mudar os planos do parto. O importante, ainda, é que o bebê nasça no seu tempo e que os pais entendam que esse ritual do nascimento, que é muito social, nesse momento precisará ser mais íntimo para preservar a saúde da família, mas que logo todos poderão celebrar essa nova vida.


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