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Economia brasileira em meio ao coronavírus


postado em 14/04/2020 04:00






Oscar García-Serrano Jiménez
Diretor-geral financeiro da Mapfre Brasil

A escalada da pandemia do novo coronavírus elevou a incerteza sobre as perspectivas da economia mundial. E a crise externa não chegará leve ao Brasil, com impactos significativos, prolongados e disseminados na atividade econômica.

Diante desse cenário, a expectativa é de queda de arrecadação, expansão do gasto público com programas sociais e repercussão na oferta e na demanda e, consequentemente, nos preços, com saldo líquido deflacionário. Com um risco grande de uma crise aguda com efeitos econômicos e sociais longevos, a reação do governo precisa ser rápida e vigorosa. Deve empenhar-se de forma extensiva, abrangente e intensa na coordenação de recursos e esforços. Ainda que o combate à pandemia exija elevação expressiva dos gastos em saúde, esses devem ser no tamanho necessário para poupar o maior número de vidas possível.

Nesse contexto, as boas notícias são a possibilidade de redução da taxa de juros pelo Banco Central e disponibilidade de nossas expressivas reservas internacionais, uma das vantagens no controle desta crise frente às anteriores.

O pacote de socorro à economia será liderado por Banco Central, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Para pequenas e médias empresas, com faturamento de R$ 360 mil à R$ 10 milhões e que não podem vir a mercado emitir dívidas para honrar seus compromissos, o programa criado pelo Banco Central, pelo BNDES e pelo Ministério da Economia, prevê a disponibilização de linha de crédito emergencial por dois meses. O objetivo é que os recursos sejam utilizados para folha de pagamento. Ao todo, serão liberados R$ 20 bilhões por mês - 85% vindos do Tesouro Nacional e o restante de bancos privados -, que deverão alcançar cerca de 1,4 milhão de empresas e 12,2 milhões de pessoas físicas.

O presidente do BNDES, Roberto Montezano, anunciou a liberação de uma linha de crédito de R$ 2 bilhões com taxas e prazos diferenciados para socorrer o setor de saúde.

A Caixa Econômica anunciou um total de R$ 111 bilhões para recuperação da economia. O presidente do banco, Pedro Guimarães, informou que todas as linhas de crédito sofrerão redução da taxa de juros, com destaque para o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, e que os clientes não sofrerão reajustes em suas negociações em virtude do atual momento econômico. As parcelas do crédito imobiliário serão postergadas por 90 dias, com possibilidade de estender o prazo por seis meses, a depender a evolução da crise.

Dadas as medidas de injeção de crédito, esperamos que os bancos privados também apresentem taxas e prazos mais atrativos, seguindo o modelo da Caixa Econômica. A medida de postergação de prazos em 60 dias para pagamentos de empréstimos ainda gera muito questionamento.

O Banco Central do Brasil também cortou a taxa Selic em 0,5% a.a., para 3,75% a.a., e reduziu as exigibilidades de depósitos compulsórios sobre recursos a prazo de 25% para 17%, enquanto o governo federal anunciou auxílios pecuniários para trabalhadores autônomos (até R$ 600), antecipações de férias e 13º salário, opções de saque do FGTS, prorrogação de vencimentos de dívidas e relaxamento de regras de provisionamento para bancos, num montante total de subvenções e estímulos de cerca de R$ 700 bilhões, embora o impacto fiscal das medidas no orçamento federal seja estimado em até R$ 200 bilhões.

O delicado equilíbrio entre o atingimento de um platô na curva de contaminações por COVID-19 e seu eventual declínio, o relaxamento das medidas restritivas de comércio e mobilidade para contenção da pandemia, o grau de resposta das economias à retomada de operações e os estímulos adotados serão o mais importante driver para a movimentação dos mercados.


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