Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Robotização no mercado de trabalho


postado em 07/04/2020 04:00

Rogério Borili

Vice-presidente de tecnologia da Becomex
 
De acordo com uma pesquisa realizada recentemente pelo Gartner, a inteligência artificial e tecnologias como assistentes virtuais e chatbots substituirão 69% da força de trabalho dos cargos de gerência até 2024. Diante disso, os líderes de recursos humanos deverão atuar em parceria com as equipes de TI para automatizar os fluxos das atividades exercidas por esses funcionários. A pesquisa também indica que apenas 9% dos líderes de RH acreditam que suas empresas estão preparadas para o futuro do trabalho e que, para 73% deles, o desenvolvimento de habilidades dos colaboradores é prioridade. Entretanto, quase 50% das atividades internas serão extintas, dando lugar à tecnologia. Inclusive, essas chefias de RH precisarão encontrar outras maneiras de avaliar os funcionários sem considerar as tarefas que serão realizadas pelas máquinas. As empresas, igualmente, deverão implementar treinamentos ao vivo para aperfeiçoar as competências de suas equipes.

Outro estudo do mesmo instituto aponta que os líderes de infraestrutura e operações devem repensar as estratégias de automação a partir de 2020, reorientando as equipes para atividades que requeiram maior interação humana, a fim de elevar a escalabilidade dos negócios e atender às novas demandas dos clientes.

Essas tendências se aplicam a todos os mercados, mas no setor financeiro os impactos devem ser maiores, devido ao excesso de atividades repetitivas e burocráticas, além da grande quantidade de documentos e códigos que podem ser analisados e processados de forma mais ágil e eficiente com o uso da tecnologia. Em especial, a inteligência artificial e o machine learning, que reduzem a demanda de criação de interfaces para obter e analisar dados e eliminam a necessidade de recriar essas interfaces devido a mudanças no sistema legal ou nos processos corporativos.

A documentação fiscal e financeira, por exemplo, é muito grande e demanda uma série de controles que geram burocracias. Com a robotização, é possível criar rotinas automáticas de armazenamento e atualização, além da conciliação entre sistemas. Além de tornar o processo mais rápido e menos passível de erros, é uma solução bastante eficiente para momentos de pandemia mundial, como a que estamos vivendo. Assim, os arquivos ficam mais seguros para trabalhos em home office, ao evitar que esses transitem de forma impressa ou ainda entre máquinas, sendo armazenados em redes apropriadas, oferecendo mais tranquilidade para os colaboradores continuarem suas tarefas em segurança. Outra vantagem é que as equipes se mantêm mais focadas na estratégia do negócio, como analisar possíveis diferenças financeiras ou perceber novos ganhos provenientes de incentivos fiscais, mesmo em tempos de crise.

Há exemplos de tecnologias que captam informações de empresas enquadradas na Zona Franca de Manaus para solicitar créditos do Reintegra* e atender às exigências do fisco, coletando todos os dados já classificados corretamente em apenas um mês, independentemente do volume. Caso fosse realizado manualmente, esse processo demoraria meses e com possibilidades de classificação incorreta, podendo acarretar perda financeira para as empresas, já que a solicitação do benefício pode ser feita somente em referência aos últimos cinco anos.

Embora essa discussão muitas vezes se volte para o fim de determinados postos de trabalho, é importante ressaltar que outras funções serão criadas com a expansão da tecnologia. Dito isso, cabe às empresas e aos profissionais descobrirem novas oportunidades dentro das atividades em que atuam, principalmente aquelas que exigem interação humana para ampliar suas formas de trabalho e se manter essenciais no negócio. A tecnologia é uma realidade e não apenas uma tendência, por isso é inevitável. Utilizá-la a nosso favor, ao invés de estabelecer uma relação de concorrência, é fundamental para o sucesso dos negócios e do crescimento profissional, tanto em épocas de estabilidade econômica e social quanto em tempos de pandemias e caos.

* O Reintegra é um mecanismo criado pelo governo para devolver uma parcela dos impostos pagos na cadeia produtiva às empresas exportadoras de bens manufaturados no Brasil, que podem reaver parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade