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Estado de Minas

Bafômetro e o uso do álcool gel

Não há risco para as pessoas de serem pegas em blitz pelo uso do álcool gel


postado em 29/03/2020 04:00

Rodrigo Silveira
Diretor comercial da Orbitae


Com a propagação do Coronavírus foi inevitável o aumento do uso do álcool gel como forma de prevenção. Mas a utilização dessa substância nas mãos e ainda no volante do carro tem gerado dúvidas e provocado polêmicas, quando se pensa em testes com bafômetros.

Após uma breve pesquisa na internet, o internauta pode realmente acreditar que a aplicação do álcool em gel poderá comprometer o condutor em uma blitz da Lei Seca. Inclusive, essa versão ganhou ainda mais força após a viralização de um vídeo com um depoimento do piloto César Urnhani, no qual, dentro de um carro, ele testa um bafômetro do tipo bolsa de ar, comprado em farmácias, para ver se o mesmo detecta a presença do álcool.

Na filmagem, o primeiro resultado deu negativo. Porém, em seguida, o piloto usou álcool em gel para higienizar as mãos e o volante do veículo e repetiu o teste. Nesta segunda avaliação, o mesmo bafômetro mudou de cor, indicando a presença de álcool.

Isso poderia ser realmente um problema, caso as autoridades brasileiras utilizassem esse tipo de bafômetro no trânsito. Mas, diante da propagação desse vídeo, a Polícia Rodoviária Federal emitiu uma nota afirmando não usar bafômetros descartáveis do tipo bolsa de ar, como o modelo testado pelo piloto. O órgão garante que o uso do álcool gel para limpar as mãos ou higienizar partes do veículo, não será detectado durante uma possível fiscalização, como se o motorista estivesse embriagado.

Além de utilizar um etilômetro de modelo diferente, que inclusive mede a quantidade de álcool presente no ar dentro dos pulmões, ou seja, mais completo que os convencionais, a polícia ainda usa um bafômetro passivo, que ajuda na triagem dos motoristas, ou seja, na seleção dos condutores que, de fato, vão soprar o equipamento, que é descartável e atestado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

O bafômetro passivo ainda pode ser um aliado da Polícia Rodoviária para seguir as diretrizes de combate ao Coronavírus, já que ele promove resultados com a aproximação do etilômetro, ou seja, sem contato direto. Uma nota divulgada, recentemente, pela corporação, reforça isso e diz que a orientação é para restringir o contato com o condutor ao estritamente necessário, como forma de prevenção.

Existe, ainda, um bafômetro do tipo bolsa de ar que, além de descartável, é internacionalmente certificado e indica através do nível de álcool no sangue o limite entre infração administrativa e criminalização, como previsto no Código de Trânsito Brasileiro. É o Redline, muito utilizado por particulares para averiguar se estão em condições de dirigir e também pelas polícias rodoviárias, que os distribuem aos motoristas como forma de conscientização às vésperas de eventos como carnaval e feriados prolongados, além de utilizar o equipamento para fins didáticos em escolas e outras instituições.

O fato é que o piloto já apagou o vídeo da sua rede social, mas vale reforçar que não há risco para as pessoas de serem pegas em blitz pelo uso do álcool gel nas mãos e em outras partes do veículo. A Lei Seca só irá punir quem, de fato, colocou a sua vida e a das outras pessoas em risco ao assumir a condução de um veículo após a ingestão de álcool.

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