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Endometriose, a doença da mulher moderna


postado em 27/03/2020 04:00




Selmo Geber
Professor titular e livre docente do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina da UFMG, membro titular da Academia Mineira de Medicina e médico da Clínica Origen




Bastante lembrado pela celebração do Dia Internacional da Mulher, março se torna também um mês de conscientização sobre uma doença que afeta milhões de mulheres no mundo inteiro: a endometriose. A campanha Março Amarelo visa levar informação sobre esta que representa uma importante parcela das doenças ginecológicas que atingem mulheres em idade fértil. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em fevereiro, a criação do Dia Nacional da Luta contra a Endometriose e a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose, a serem comemorados em março. O objetivo é incentivar ações de prevenção, educação e orientação às mulheres.

O projeto, agora, será apreciado pelo Senado Federal. A expectativa dos parlamentares é de que, com o reconhecimento da doença, a partir da aprovação desse projeto de lei, surjam alternativas para a realização de um tratamento efetivo e de qualidade para as mulheres que precisam do Sistema Único de Saúde (SUS).

A endometriose é considerada a doença da mulher moderna e, em alguns casos, pode estar associada à infertilidade. Caracterizada pela presença de células do endométrio fora do útero, atinge cerca de 15% de toda a população feminina mundial que está em idade reprodutiva. De acordo com o Registro Latino-Americano de Reprodução Assistida, a prevalência de endometriose foi estimada em 176 milhões de mulheres em todo o mundo. Desse total, 30% a 50% são inférteis.

Uma grande parte das mulheres com endometriose pode ser assintomática. Os sintomas mais comuns são: cólicas menstruais intensas, dor pélvica e dor durante as relações sexuais. Na presença desses sintomas, é importante procurar um médico. Quando leve e moderada, a correlação com a infertilidade é ainda incerta, porém, alguns estudos sugerem uma alteração no sistema imunológico, que poderiam ocasionar modificações no processo de fertilização ou transporte dos óvulos, espermatozoides ou embriões. Nas formas graves, a associação da endometriose com a infertilidade é mais clara, sendo comprovada pela distorção nas relações anatômicas entre os órgãos pélvicos. Assim, existe uma dificuldade para que os fenômenos reprodutivos aconteçam de forma fisiológica. Embora seja uma doença benigna, pode causar perda precoce da função ovariana e desencadear outros sintomas, como dor e infertilidade que devem ser valorizados, além de problemas de relacionamento afetivo e dificuldades de ordem sexual.

Nos casos de endometriose associada à infertilidade, a técnica de fertilização in vitro (FIV) apresenta a vantagem de superar qualquer das prováveis causas atribuídas à endometriose para levar a infertilidade. Na FIV, após indução da superovulação, os óvulos são coletados e colocados em contato direto com os espermatozoides. Posteriormente, pode-se observar, diretamente, a fertilização e formação de embriões que é seguida pela transferência dos mesmos diretamente para o útero da paciente. Assim, realiza-se um desvio dos fenômenos que deveria ocorrer "in vivo" para o laboratório (in vitro), escapando dos efeitos adversos causados pela presença da endometriose. As taxas de gravidez são semelhantes às encontradas para as demais indicações de FIV, variando de 15% a 55%, de acordo com a idade da mulher. De maneira semelhante ao descrito acima, pode ser utilizado após falha do tratamento clínico ou cirúrgico inicial ou diretamente para se obter a gestação mais rapidamente.

É necessário que as mulheres façam consultas ginecológicas periodicamente. A suspeita clínica de endometriose se baseia na sintomatologia e exame físico. Exames complementares podem ser solicitados para ajudar na decisão terapêutica. 


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