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A ética é a maior aliada da sociedade


postado em 13/02/2020 04:00 / atualizado em 12/02/2020 21:27





 Ana Paula Seixas
Gerente jurídica, de relações institucionais e 
compliance da Leão Alimentos e Bebidas

Nos últimos anos, o Brasil sofreu com os escândalos de corrupção envolvendo o governo e empresas privadas. Matérias relacionadas a propina, caixa 2 e condutas inadequadas invadiram os noticiários, deixando uma sensação de impotência e inconformismo nos brasileiros. Afinal, todo um sistema parecia corrompido. Só para se ter uma ideia, pesquisa divulgada durante a corrida eleitoral de 2018 apontava que a corrupção era a terceira maior preocupação do brasileiro, empatando com o desemprego e ficando atrás apenas da violência e da saúde.

Na contramão disso e como maneira de melhorar a imagem frente ao consumidor, diversas empresas têm apostado em políticas de compliance. Pautada pela transparência e ética – filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, disciplinam ou orientam o comportamento humano –, essa prática nada mais é do que estar em conformidade com as leis, padrões morais e regulamentos internos e externos. É por meio dela que o agente econômico reforça o seu compromisso com os valores e objetivos da empresa e busca promover uma cultura corporativa de respeito às leis e regulamentos. Não por acaso, o termo compliance significa "estar em conformidade com".

Curiosamente, é exatamente em épocas turbulentas, como a que vivemos hoje, que essa prática ganha força. Seu próprio surgimento remonta à virada do século 20, com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, cujo objetivo era tornar o ambiente financeiro mais flexível, seguro e estável. Algumas décadas depois, nos anos 70, a Foreing Corrupt Practies Act (FCPA) – uma lei anticorrupção transnacional – endureceu as penas para organizações americanas envolvidas com corrupção no exterior. No entanto, foi só com os escândalos de corrupção envolvendo empresas privadas e governos que diversas companhias iniciaram, de maneira espontânea, a adoção de práticas de compliance.

Movimento semelhante aconteceu no Brasil quando, em 1992, o tema ganhou destaque nas propagandas do governo Collor e, principalmente, em seu processo de impeachment. Após a queda do Caçador de Marajás, que foi derrubado pelo próprio irmão, o país começou a adequar-se aos padrões éticos e de combate à corrupção. Ainda na década de 90, a abertura do capital financeiro e a entrada de transnacionais no mercado brasileiro serviram como gatilho para que essas posturas fossem implementadas. Mesmo assim, nunca se falou tanto em compliance quanto nos últimos anos – principalmente depois que setores administrativos e financeiros de algumas empresas foram evidenciados na Lava-Jato de forma negativa.

E é justamente para evitar atitudes como essa que essa prática é tão importante. A ética profissional no trabalho está entre as qualidades mais valorizadas do mercado. É por meio dela que a empresa é enriquecida. Como gerente jurídica e compliance, posso afirmar que, quando aplicadas da maneira certa, essas medidas melhoram a credibilidade da indústria perante os consumidores, investidores e fornecedores. Mas não é só isso. Em uma perspectiva mais ampla, o cultivo de uma ética profissional traz benefícios imediatos. A saúde (física e psicológica) no ambiente de trabalho melhora consideravelmente; as relações e comunicações interpessoais se tornam mais positivas; há um aumento na qualidade dos produtos e serviços e diminuição das falhas. Ou seja, é uma medida positiva para o ambiente corporativo em meio a tempos sombrios.


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