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Protagonismo na transição de carreira

"O objetivo é possibilitar meios e apoio para que as pessoas possam se desenvolver, ampliar seu autoconhecimento e fazer suas escolhas"


postado em 14/01/2020 04:00

José Augusto Figueiredo
Presidente no Brasil da Lee Hecht Harrison
 
ara muitos o momento é de um pequeno reaquecimento da economia e de novas oportunidades. No entanto, alguns profissionais impactados pelas mudanças nas estratégias e crises dos últimos anos, acabaram ficando desamparados no momento que se depararam com o mercado, sem apoio e orientação. EssA é uma realidade que requer reflexão.
 
A prática ou política de apoio à transição de carreira no Brasil ainda é tímida se, por exemplo, comparada a países como Estados Unidos, Inglaterra e França. Algumas empresas, e principalmente seus líderes, já identificam que o investimento, na prática, é uma tremenda ferramenta para gestão do clima, engajamento, retenção e saúde cultural, pois os colaboradores que continuam na organização percebem rapidamente quando o pacto é quebrado. Quando um colega sai, mas com orientação, apoio e metodologia para recomeça, o trabalhador sabe que, se acontecer com ele, terá o mesmo tratamento.
 
Outras grandes empresas já tratam o tema como responsabilidade social. A prática ou política já é gerida pela área de relações institucionais e os resultados com a transição de seus ex-colaboradores são publicados no balanço social. Para essas empresas, sua imagem e relacionamento com ex-colaboradores (muitas vezes clientes), é de valor atemporal. E uma terceira categoria de empresas utiliza o processo como forma de reconhecimento, principalmente ao colaborador que na maioria das vezes se dedicou por anos à empresa.
 
Diante desse contexto, a maioria dos profissionais precisa tomar as rédeas do protagonismo da sua transição, pois o ambiente é cada vez mais exigente, volátil e colaborativo. Até porque a responsabilidade do desenvolvimento da carreira sempre foi do indivíduo. A empresa pode ser uma facilitadora ou aceleradora desse processo, ou seja, ela coparticipa com interesse no desenvolvimento das partes.
 
Além disso, tradicionalmente, no Brasil as empresas patrocinadoras em transição de carreira investem nesse serviço para cargos de alta liderança, deixando os outros níveis da organização vulneráveis ao que o mercado oferece. Infelizmente, no país, a oferta deste serviço para a contratação diretamente pelos profissionais é de baixíssima qualidade. Quando não, os serviços são fictícios e ilusões são vendidas. Percebemos uma profusão oportuna desses prestadores que enganam as pessoas num momento delicado de suas vidas.
 
Essa realidade precisa ser mudada! Afinal, todos os profissionais, independente do nível hierárquico, merecem ter a chance de investir no seu próprio desenvolvimento com um serviço de qualidade.
Mas você deve estar se perguntando: por onde começar? Atualmente é possível para o profissional que não esteja trabalhando e não tenha contado com esse benefício, buscar uma solução de qualidade, olhando de forma inovadora para a sua carreira, assumindo o investimento por sua transição e aproveitando o processo para ampliar autoconhecimento, características pessoais e habilidades.

Contudo, é preciso atenção para fugir das armadilhas de algumas empresas que oferecem soluções de transição e desenvolvimento de carreira para empresas e, em paralelo, para as pessoas físicas desta mesma empresa. Seria ético prestar o serviço para uma organização e, em paralelo, prestar o mesmo serviço para as pessoas físicas dessa mesma organização às escondidas? Ainda pior quando essa consultoria também oferece serviços de recrutamento e seleção. Ela com certeza vai oferecer as vagas que ela está trabalhando. Esse movimento de "ganhar dos dois lados" não é só antiético, mas duvidoso. Afinal, o objetivo não deve ser fazer as pessoas saírem de uma organização, mas sim possibilitar meios e apoio para que as pessoas possam se desenvolver, ampliar seu autoconhecimento e fazer suas es
colhas. Os RHs precisam ficar atentos a esse tipo de oferta!
 
Enfim, o ideal é sempre pesquisar, conversar com outros profissionais que contrataram esse serviço e buscar referências. A experiência vivida e os resultados são ótimos balizadores de um serviço de credibilidade. Mais uma vez, a decisão, o poder e a hora de investir na sua transição também está em suas mãos. 
 
 


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