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Estigma e equívocos da sociopatia


postado em 12/01/2020 04:00


Ângela Mathylde
Psicanalista e neurocientista

Histórias sobre psicopatas e sociopatas costumam fazer muito sucesso nos livros, no cinema e nas séries de TV, principalmente quando baseadas em fatos. Filmes baseados em pessoas com o transtorno, como Psicose, A laranja mecânica e O silêncio dos inocentes fizeram muito sucesso. Até mesmo psicopatas da vida real, como o famoso assassino em série dos Estados Unidos Ted Bundy, foram e são aclamados até os dias de hoje. Parece algo mirabolante e distante do cotidiano. Entretanto, o problema não é tão raro como se imagina: qualquer pessoa pode até conhecer um sociopata e conviver com ele sem saber.

O transtorno da personalidade antissocial ou sociopatia é um distúrbio de personalidade decorrente do desprezo por normas sociais e indiferença ou desrespeito pelos direitos e sentimentos dos outros. A pessoa costuma ser encantadora, manipuladora, egoísta, impulsiva e mentirosa, fazendo de tudo para alcançar seus objetivos, mesmo machucando ou gerando sofrimento.

Há também um equívoco comum em compreender a sociopatia e a psicopatia: entender as diferenças. Ambas são formas do transtorno da personalidade antissocial, porém, a sociopatia é desenvolvida ao longo da vida e está associada à educação e convivência social, enquanto a psicopatia é inata. A sociopatia seria uma forma mais ‘branda’ do transtorno, já que a pessoa consegue sentir remorso e é mais impulsiva, enquanto na psicopatia não há nenhuma emoção e as ações são friamente calculadas.

Os sociopatas costumam ser exageradamente egocêntricos, desconsiderando os sentimentos e opiniões dos outros. Também não se importam com princípios ou valores morais e nem seguem regras. É necessário saber que o transtorno não tem cura, mas os efeitos podem ser amenizados com psicoterapia e medicamentos. A compreensão dos casos e relacionamento com essas pessoas requer ter em mente que não são movidos pela vontade de fazer do mundo um lugar melhor ou estimular boas ações, mas, sim, pelo desejo de concretizar suas próprias vontades.

Não se trata de uma situação fácil para lidar, principalmente por causa do estigma que segue a condição. Os psicopatas e sociopatas são constantemente associados a serial killers e criminosos e, de fato, apresentam mais propensão a cometer crimes. Contudo, ser sociopata ou psicopata não quer dizer, necessariamente, que a pessoa é criminosa. Ela faz o que for de seu interesse, seja dinheiro, poder ou fama. Portanto, assumir que qualquer pessoa com esses transtornos é assassina é um equívoco.

O entendimento é importante, porque esses distúrbios estão presentes entre colegas de trabalho, amigos e até familiares. Inclusive, há muitas pessoas com transtorno de personalidade antissocial, participando ativamente da sociedade e a maioria das pessoas nem sabe disso. A recomendação é atenção aos comportamentos diferentes e saber como lidar adequadamente com as diferenças.


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