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Perfeição e a saúde mental

O problema é o jovem não compreender que seu próprio corpo está em formação


postado em 14/12/2019 04:00


Ângela Mathylde
Psicanalista e neuropsicopedagoga


A busca da beleza não é novidade, principalmente ao considerar uma sociedade valorizadora da imagem. A procura pela perfeição começa cada vez mais cedo, gerando polêmicas. Para se ter uma ideia, somente no ano passado, 83.655 cirurgias plásticas envolveram adolescentes de 13 a 18 anos, representando 4,8% do total de procedimentos brasileiros, considerando toda as faixas etárias. Os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) abrem espaço para um questionamento: por que os jovens estão recorrendo à cirurgia para alterar o corpo?.

Uma das explicações está na comparação decorrente do uso das redes sociais. Os problemas de autoestima entre adolescentes já são muito comuns, por se tratar de uma fase conturbada e cheia de mudanças. O Instagram apresenta fotos de pessoas com corpos esculturais e rostos perfeitos, levando o adolescente, muitas vezes, a se sentir inferior ao se comparar.

O problema é o jovem não compreender que seu próprio corpo está em formação, se frustrando por não se parecer com as pessoas que acompanha na internet. A tendência é achar que o problema está em si mesmo. A situação costuma acontecer, principalmente, entre mulheres, incentivadas, desde cedo, a se enquadrar em um padrão de beleza quase inalcançável, especialmente durante a adolescência.

Os dados da SBCP revelam que as intervenções mais comuns são a rinoplastia, ou seja, a plástica no nariz, e o aumento das mamas, intervenção de grande especulação, pois muitos médicos afirmam que as mamas podem se desenvolver até os 18 anos. Uma menina de 16 coloca prótese e pode ficar com os seios ainda maiores e o problema passa a ser outro: se antes      eram muito pequenos e geravam insegurança, posteriormente, os seios serão maiores que o esperado e provocam desconforto.

Muitos pais querem evitar a insegurança dos filhos ou que se sintam excluídos, financiando os procedimentos, mesmo discordando da prática. A família tem outras formas de prestar apoio, como explicar a formação do corpo, ressaltando a beleza natural do adolescente e destacando a seriedade de uma intervenção cirúrgica.

Vale lembrar que a cirurgia plástica apresenta riscos, assim como qualquer outro procedimento, e deve-se tomar cuidado com o arrependimento. Muitas pessoas, anos depois, questionam se a decisão foi adequada, pois, com o crescimento, o corpo muda e as modificações naturais podem acabar não combinando com a personalidade e o aspecto físico. A situação pode gerar problemas na autoestima e na confiança, provocando uma frustração decorrente de um procedimento não satisfatório.

É preciso ter um diálogo aberto sobre os problemas com a autoimagem, e lembrar que o corpo ainda está sendo moldado. A adolescência é uma fase e é importante entender como algo passageiro. A tomada de decisão é mais recomendada na fase adulta, quando se tem mais vivência, autoconhecimento, informações e é muito menos arriscada para a saúde mental.



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