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Carros autônomos: como evitar acidentes?


postado em 08/12/2019 04:00

Rogério Borili
Vice-presidente de tecnologia da Becomex 

Na tecnologia, o carro autônomo se tornou um dos temas mais abordados nos últimos tempos. Cientistas de diversas partes do mundo "correm" para desenvolver os detalhes e infraestrutura para o veículo do futuro, que está cada vez mais próximo. Países como Estados Unidos e Alemanha anunciaram, recentemente, a criação de automóveis autônomos de nível 4 (se movimenta por conta própria, mas ainda requer intervenção humana) e a China está se programando para testar o de nível 5 (100% autônomo) para aplicativos de transporte, mas diversos questionamentos pairam sobre o funcionamento do carro autônomo na prática.

Além dos investimentos de infraestrutura das vias, do próprio automóvel, segurança de dados e redes móveis com alta velocidade e redundância para transmissão de dados em tempo real – itens em que o Brasil ainda precisa evoluir –, uma das principais perguntas é: como o carro autônomo tomará decisões durante o tráfego?.

É fato que os investimentos em internet of things (IoT, internet das coisas) e inteligência artificial (IA) vêm crescendo. De acordo com pesquisa do IDC, os gastos mundiais com inteligência artificial  devem chegar a US$ 35,8 bilhões neste ano, um crescimento de 44% em relação a 2018, com previsão de dobrar até 2022. Já os investimentos em IoT devem atingir US$ 9 bilhões e seguir com 20% de crescimento anual até 2022. Essa tendência engloba e deve impactar a produção do carro 100% autônomo e situações como semáforo vermelho e interação com os demais automóveis certamente poderão ser programadas na inteligência do veículo, mas o tráfego nas grandes cidades é muito mais complexo, contando com uma série de situações inesperadas e a decisão previamente programada nem sempre será a melhor saída. Por exemplo: em uma situação de colisão inevitável entre outro automóvel e um carrinho de supermercado, o que você escolheria? E se em vez do carrinho de supermercado fosse um carrinho de bebê? E se a decisão for colidir com outro automóvel, como será essa escolha: pelo menor dano causado ao outro ou ao próprio carro? Como o carro autônomo saberá diferenciar esses casos para tomar a melhor e óbvia decisão?

O grande debate é que a inteligência dos robôs precisa ser programada e, embora tecnologias como o machine learning permitam o aprendizado, é preciso que um fato ocorra para que a máquina armazene aquela informação daquela maneira, ou seja, primeiro paga-se o preço e depois gerencia os danos. Além disso, é preciso considerar que o raciocínio humano é confuso para os robôs e vice-versa. Adiciona-se a isso a infinidade de situações possíveis e a conta fica difícil de resolver: faixas obstruídas, animais e objetos na pista, ciclistas etc., tudo isso precisa ser identificado em tempo real, assim como a decisão de como agir necessita ser instantânea para evitar desastres. Como prever todos esses imprevistos e dar ao carro autônomo o comando correto para que ele seja totalmente seguro? Como fazer as perguntas certas para evitar que o aprendizado via machine learning não seja equivocado?

Além da inteligência, também existem as questões jurídicas e éticas. Em casos de acidente, quem será responsabilizado? A empresa que criou o veículo ou proprietário do automóvel? E se ele precisar acelerar a velocidade para desviar de um pedestre na via e também evitar a colisão com outro veículo, ele deve seguir a lei ou preservar vidas? Considere-se, também, que o automóvel necessita de câmeras, tanto na via quanto em sua estrutura, para funcionar de forma segura. Como fica a privacidade dos dados nesta situação?

São muitas perguntas para poucas respostas e é crucial que a ciência e a sociedade façam todas elas antes que o carro 100% autônomo se torne realidade. É possível que a tecnologia avance a ponto de termos robôs capazes de interpretar situações tais quais os humanos, mas, enquanto isso não acontece, é ideal que automóveis com este nível de autonomia circulem apenas em vias próximas, para a segurança de todos e o bem-estar do desenvolvimento tecnológico.


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