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Racismo: é preciso encarar

Temos uma dívida histórica e ela precisa ser paga com políticas públicas eficientes


postado em 28/11/2019 04:00


Walber Gonçalves de Souza
Professor e escritor

Tornou-se comum, todos os dias, noticiar casos de racismo. Não interessa o local, a forma, a classe social, mas as manifestações racistas estão lá presentes. Ainda insistimos na perpetuação de certos "não valores" que denigrem a essência da própria humanidade.

Que ninguém nasce racista isso é fato, mas, infelizmente, muitos se tornam e acreditam, escrachadamente ou até mesmo de forma velada, que estão corretos, que podem pensar e agir como se alguns de nós fôssemos superiores a outros. Ledo e estúpido engano!

Agora, podemos nos questionar: até quando conviveremos com casos de racismo nas escolas, nos estádios, nos clubes, nas igrejas, entre familiares, enfim, em todos os lugares? O certo é que precisamos encarar o problema, precisamos combater ferrenhamente todas as formas de racismo.

Um bom ponto de partida para as nossas reflexões seria um profundo e humano estudo histórico de tudo aquilo que envolveu a comunidade afro no Brasil, desde o tráfico negreiro, passando pelo processo de escravização, até chegar no que de fato representou a Lei Áurea. Não podemos esquecer dois pontos cruciais: a política de branqueamento, iniciada durante o segundo reinado e que acarretou o incentivo às imigrações, e as circunstâncias da decretação do Código Penal em 1940, por Getúlio Vargas.

Aprofundando neste contexto histórico percebe-se que uma sociedade que sempre renegou, excluindo socialmente e deixando à margem de tudo uma parte dos seus membros, não será difícil compreender quem se tornarão os "marginais".

Quem sabe assim entenderíamos um pouco da nossa atual realidade social, pois não podemos negar nosso passado e tampouco fingir que este mesmo passado não releva muitas situações que caracterizam nosso atual modelo de sociedade.

O que não dá mais é para ficar tapando o sol com a peneira ou jogando a sujeira para debaixo do tapete. Agindo assim, sempre assistiremos aos mesmos casos, por isso repito: é preciso encarar as intermináveis formas de racismo.

E encarar significa propiciar uma educação com valores e de qualidade, fomentar as oportunidades verdadeiras que promovam, de fato, uma mudança social. Chega desse papinho de que o sol nasceu para todos ou que todos têm as mesmas oportunidades, pois sabemos que não passa de balela, papo furado.

Encarar significa combater a corrupção, que afeta as pessoas mais carentes, mais vulneráveis, tirando delas a possibilidade de viverem com dignidade e ter oportunidades, criando um ciclo vicioso da miséria humana, que de certa forma alimenta o racismo.

Encarar é fazer valer a Lei do Racismo ou até mesmo criar formas alternativas de coerção, como trabalhos comunitários que envolvam a temática em questão. O que não pode acontecer é a impunidade.

Encarar significa admitir que temos uma dívida histórica e que ela precisa ser paga com políticas públicas eficientes. Assim, penso que estaremos dando um grande passo para o combate ao racismo.



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