Walber Gonçalves de Souza
Professor e escritor
Na história da humanidade, percebem-se vários momentos em que ocorreram profundas transformações no cotidiano das pessoas. Como exemplos mais recentes podemos citar o período das grandes navegações e a Revolução Industrial. Ambos os fatos históricos trouxeram uma séria de alterações na forma de o ser humano conceber e viver a vida. Podemos afirmar que provocaram mudanças radicais na forma de pensar e agir.
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A história ensina, também, que existiram vários modelos de Estado, alguns deles tornaram-se poderosos, como o antigo Império Romano. No entanto, planetariamente, vivenciamos vários outros tipos de organizações como democracia grega, absolutismo francês, monarquia parlamentarista inglesa, ditaduras, presidencialismo, enfim, várias são as formas, cada qual com suas particularidades.
Todavia, a história nos sinaliza que viver socialmente não é algo estático, pois a própria humanidade também não o é. Particularmente na história do Brasil, já passamos por vários modelos de organização do Estado. Já fomos colônia, passamos por um período imperial, ditatorial e, agora, vivenciamos a República.
Vivemos nos alterando, criando, buscando novas formas de organização social. E talvez esse seja o ponto-chave do atual momento que estamos vivendo. Assim, penso que o Brasil precisa rever seu formato estatal, pois, como a história nos mostra, chega um determinado momento em que o modelo se esgota, não consegue mais atender ao anseio da própria sociedade.
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Por mais que tentem afirmar ao contrário, infelizmente, as instituições governamentais, com raras exceções, não têm mais crédito com a sociedade; nosso modelo de gestão é ineficiente, burocrático, não inspira confiança, possibilita as mais diversas fraudes, transforma um Estado forte e rico em um país de miseráveis, nas mais diversas formas.
Ainda não nos afirmamos de fato, não sabemos se somos presidencialistas ou parlamentaristas, vivemos uma República às avessas. Vivemos nas cidades que se entrelaçam regionalmente, mas continuamos com uma estrutura federalista que pulveriza recursos com gastos que não melhoram a vida das pessoas.
Sei que é utopia, mas precisamos passar por uma profunda reforma do Estado. Rever as organizações municipais, transformando-as em regionais, através de subprefeituras ou conselhos gestores; rever as prioridades do Estado e a forma como os recursos são gastos; repensar nosso modelo de organização política, e, talvez, a saída seja o fim da obrigatoriedade da existência de filiação partidária para agentes políticos. Muitos cargos na República não podem passar pelo crivo da nomeação política, devem ser ocupados por mérito, seguidos por critérios objetivos, já dispostos no plano de carreira.
O Estado brasileiro precisa funcionar em função do povo brasileiro, e não o contrário, como vem acontecendo há anos.
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