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O diabetes e a saúde da pele


postado em 10/11/2019 04:00

Ana Rosa Magaldi
Dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD)

Levantamento do Ministério da Saúde revelou que no Brasil existem 16 milhões de pessoas portadoras de diabetes. O nosso país é o quarto com o maior número de casos no mundo, tendo a doença como a quarta maior causa de mortes.

As pessoas que têm a enfermidade lidam com uma série de cuidados intensos ao longo do cotidiano. Mesmo com o índice glicêmico em controle, os pacientes que convivem com qualquer uma das duas variações da doença têm maior propensão a sofrer com problemas de pele. De caráter crônico, o diabetes é causado pela produção insuficiente ou absorção ineficaz de insulina, que é o hormônio responsável pela regulação da glicose no sangue e garante energia para o nosso corpo.

O primeiro tipo da doença acontece quando o pâncreas perde a capacidade de produzir a insulina. Já no tipo 2, o organismo produz a insulina, mas pode desenvolver uma resistência ao hormônio. Desempenhando um significativo papel na saúde da pele, a insulina em deficiência pode causar diversos distúrbios e disfunções no maior órgão de nosso corpo.

A alta taxa glicêmica pode afetar a pele de diversas maneiras. Com uma aparência ressecada e mais fina, a pele deste tipo de paciente tende a ser mais frágil e sensível. O tecido cutâneo de pessoas com o diabetes ainda tem forte propensão a infecções. Isso acontece porque a pele de pessoas nessas condições costuma ser mais xerótica e ressecada. Essa baixa de hidratação na pele pode dar origem a fissuras, lesões ou descamações, tornando a área propícia à proliferação bacteriana.

Outro problema que também afeta a pele de pessoas diabéticas é a dificuldade de cicatrização. A hiperglicemia incapacita as células de defesa do organismo, ou seja, os glóbulos brancos. Essas células têm a função de atacar micro-organismos, como as bactérias, vírus, e fungos, que possivelmente atinjam o nosso corpo. 

Além dessas ocorrências, alguns micro-organismos se alimentam da glicose extra do sangue, o que acaba favorecendo ainda mais a formação de infecções. Então, mesmo que sejam pequenas ou de menor gravidade, todas as lesões na pele de uma pessoa com diabetes merecem muita atenção. Uma das complicações mais severas em pessoas atingidas pela doença é o pé diabético, pois ele representa a presença de infecções e problemas circulatórios nos membros inferiores. Dependendo do caso, esse problema pode evoluir para a necessidade de uma amputação.

Para evitar todas essas adversidades, é essencial que as pessoas que têm a doença mantenham o controle das taxas de glicose no sangue e deem muita atenção ao surgimento de lesões. Caso uma ferida surja, recomendo aos pacientes que lavem o local com água e sabão e tampem com um curativo seco, realizando trocas diárias. Entretanto, o ideal é procurar ajuda médica, pois somente o profissional poderá indicar o tratamento adequado para casa situação. 

Por fim, para impedir o ressecamento extremo da pele, indico que os pacientes se hidratem por meio da ingestão de muita água e uso de hidratantes corporais. É essencial que o diabético faça uso de produtos recomendados por dermatologista especializado, pois alguns cremes, a exemplo daqueles com álcool em sua composição, podem piorar as lesões. 


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