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Estado de Minas

Voltaremos a ser a bola da vez?

É necessário estruturar programas arrojados e decisões ágeis


postado em 07/11/2019 04:00

David Braga
CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão



OBrasil esteve, em 2010, na capa dos principais jornais e revistas internacionais como o país que pagava os maiores salários do mundo para executivos (diretores e presidentes) se comparado a potências econômicas globais, com sede em Londres, Hong Kong, Nova York e Cingapura. Menos de 10 anos depois, o país amarga uma crise sem precedentes e de alto impacto para empresas e trabalhadores.

Após os 300 dias do governo Bolsonaro, um novo pacote de estímulo de emprego foi anunciado ontem. Independentemente da ideologia política, é preciso reconhecer que o governo federal tem feito movimentos para tentar colocar o Brasil em ritmo de retomada. Entretanto, é preciso lembrar que nosso país tem problemas básicos a serem sanados, sejam eles de educação, saúde, segurança ou infraestrutura. Não será em 300 dias ou quatro anos que tudo estará resolvido.

No terceiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 11,8%, uma leve queda em relação à registrada no mesmo período de 2018, de 12,5%, conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT).  Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios  (Pnad), divulgada pelo IBGE na semana passada, 12,5 milhões de brasileiros estão desempregados.

Desde o início da crise, as empresas estão buscando alternativas para reduzir gastos, aumentar a produtividade, diminuir a operação e driblar o custo Brasil, que é extremamente oneroso e impacta negativamente a competitividade e a perpetuidade das organizações. Sob esse aspecto, estamos tratando de questões como tributação (carga e burocracia) e custos de capital de giro, de energia, de matérias-primas, de infraestrutura logística e diversas outras questões.

Ao tratar de competitividade, é importante lembrar que, segundo relatório elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, divulgado também no último mês de outubro, estamos, hoje, na 72ª posição do ranking global entre os 141 países avaliados. Olhando para nossos vizinhos, o Chile encontra-se na 33ª posição, seguido de México (46ª) e Uruguai (54ª).

Vivemos, ainda, uma realidade em que vários estados brasileiros já declararam situação de calamidade financeira. Governadores empossados no início deste ano já enfrentam desafios de caixa, como ocorre no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Roraima, Rio Grande do Norte e Mato Grosso.

A permanência da taxa de desemprego em altos patamares impulsionou aqueles que perderam seus empregos a buscar formas alternativas para se rentabilizar. Segundo o IBGE, atualmente, 41,4% da população ocupada é informal. Isso significa dizer que o percentual da população que contribui para o INSS tem caído cada vez mais.

Com o pacote, a expectativa do governo federal é impulsionar o primeiro emprego, impactando cerca de três milhões de jovens brasileiros. Os profissionais acima de 55 anos que ainda não se aposentaram também serão beneficiados. Mas será que essa é a estratégia mais eficaz para criar novos postos de trabalho e fazer a roda da economia brasileira voltar a girar?

Desde 2016, a Prime Talent tem vivenciado esse cenário de intensas reestruturações. A regra tem sido reduzir os times e aumentar senioridade. Isso significa menos quantidade e mais qualidade. Quem fica precisa ter competências e habilidades para assumir mais áreas ou mais processos em sua gestão. São profissionais capacitados, com excelente repertório acadêmico, fluência no idioma inglês, entre outros fatores.

A minha dúvida é onde o público à procura do primeiro emprego se encaixa nesse contexto para o resultado imediato que as empresas necessitam. E, por outro lado, não necessariamente os profissionais acima de 55 anos estão atualizados quanto às tendências de mercado, tecnologias e de conhecimento. Ou seja, o pacote é interessante, mas para resultados a longo prazo.

E aí me vem a dúvida: por que o governo não estrutura um programa que vá além desse público, estendendo a desoneração à toda a empresa?. Isso, sim, refletiria em resultados mais assertivos, acentuados e perenes. Temos tudo para voltar a ser "o país da bola da vez", mas é necessário estruturar programas arrojados e decisões ágeis. Afinal, tudo isso impacta na atratividade de potenciais investidores internacionais e nos planos de retomada e crescimento das empresas no Brasil.

É preciso lembrar que com novas tecnologias, automatização, inteligência artificial (IA) as empresas têm buscado enxugar as operações, reduzir custos e obter respostas mais ágeis, o que significa redução de mão de obra. Por outro lado, o mercado de trabalho tem sofrido disrupção, com novas profissões que surgem e outras que desaparecem. Somente aqueles que se adaptam, se reinventam e melhoram suas competências e habilidades, aperfeiçoando seus conhecimentos, conquistarão as posições de destaque, seja o estagiário ou o presidente.


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