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Estado de Minas EDITORIAL

Eleições argentinas

No poder desde 2015, Macri adiou as reformas necessárias para alavancar o crescimento do país


postado em 27/10/2019 04:00

A Argentina vai hoje às urnas para decidir quem governará o país nos próximos anos. De um lado, o liberal Mauricio Macri disputa a reeleição. De outro, o peronista Alberto Fernández, do grupo de Cristina Kirchner, que antecedeu Macri na Casa Rosada. Analistas e pesquisas apontam para a vitória oposicionista. Não se trata de aposta vazia ou baseada em sensações. Em agosto, nas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso), consulta popular da qual participam todos os eleitores, Fernández obteve vitória esmagadora %u2013 vantagem de 17 pontos percentuais. O desempenho, se repetido, lhe assegurará a eleição no primeiro turno. Explica-se o êxito: o país vizinho se debate em crise econômica que afugenta inversões e empobrece a população. O Produto Interno Bruto (PIB) teve queda de 2,5%, o desemprego se aproxima de 11%, a subocupação ultrapassa 13%, a inflação atingiu 43,7% e deve fechar o ano em 48,3%, os investimentos despencaram 18%, o consumo privado se reduziu 7,7% e os gastos do governo caíram 7,7%. Com índices dramáticos e sem perspectiva de reversão a curto prazo, registrou-se perda gradual da confiança dos mercados e a contínua desvalorização do peso e do Merval, principal índice da bolsa argentina. Na tentativa de atrair recursos, o Banco Central eleva a taxa básica de juros, que está em 83,21%. %u201CÉ a economia, estúpido!%u201D Com essa frase, o publicitário americano James Carville justificou, em 1992, a vitória de Bill Clinton sobre George Bush. A mesma sentença pode explicar a provável derrota de Mauricio Macri. No poder desde 2015, ele adiou as reformas necessárias para alavancar o crescimento do país. Gastou o capital político com maquiagens superficiais que empurraram a economia ladeira abaixo. O Brasil, ao contrário, abraçou a causa das reformas estruturais e tem alcançado sucesso. A nova Previdência, aprovada na quarta-feira, provocou reação alentadora. A bolsa subiu a patamares inéditos e o dólar caiu. Outras medidas estão na fila, com o clamor da urgência imposta pelos mais de 12 milhões de desempregados, que, somados aos desalentados e aos subocupados, ultrapassam 27 milhões de pessoas. Seja qual for o resultado do pleito de hoje do outro lado da fronteira, a relação entre os dois países não pode sofrer fraturas. Divergências ideológicas devem ficar distantes da relação comercial entre as duas maiores economias da América do Sul. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. A Argentina é o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. O país vizinho importa sobretudo manufaturados como automóveis de passageiros, veículos de carga, partes e peças para veículos. Em 2018, respondeu por 6,3% das vendas externas brasileiras. Divergências, caso haja, têm foro privilegiado. É a mesa de negociações.


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