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Educação financeira na infância


postado em 20/10/2019 04:00

Peter Visser
Diretor acadêmico da Maple Bear Brasil e graduado pela Universidade de Waterloo, com mestrado em educação pela Universidade de Ottawa

Para quem acompanha os números do mercado, não há como negar: a ausência de uma educação financeira para as gerações anteriores foi bastante maléfica. Dados da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil) revelam que existem, hoje, mais de 60 milhões de brasileiros com o nome negativado e um superendividamento dos aposentados, consequência de uma geração que não teve acesso e, também, pouco debatia temas que envolviam planejamento e organização familiar. Não por acaso, o tema passou a conquistar destaque nos últimos anos, principalmente entre as escolas a partir de 2017, quando a educação financeira foi incluída na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da educação infantil e ensino fundamental. 

Por isso, até o início do ano letivo de 2020, as instituições de ensino precisam adequar os currículos e propostas pedagógicas, incorporando a educação financeira como uma disciplina transversal. Para entender o que há por trás desse conceito, vale salientar que ensinar finanças é ir muito além de guiá-los nas contas de adição e subtração na hora de receber o troco na padaria, mas, sim, de maneira mais macro, compreender a importância dos números e saber contextualizar as informações, aplicando os conceitos no que concerne aos juros e porcentagens, por exemplo. Por isso é importante, dentro ambiente escolar, criar situações que representem o mundo real, desenvolvendo métodos para que a educação vá além de se relacionar com a matemática, trafegando também por todas as áreas do conhecimento.

O tema já é recorrente em outros países e na Maple Bear é trabalhado a partir da Metodologia Canadense, que aborda as situações por meio de atividades, como jogos e brincadeiras, além de atividades extraclasse. É uma forma de engajar a partir de experimentações e descobertas, estimulando o raciocínio crítico e fazendo com que os estudantes entendam o conceito de valor na prática, mas em um ambiente controlado. Dessa forma, a escola fomenta a criatividade, a autonomia e a capacidade de autoaprendizagem crítica de novos saberes, desenvolvendo habilidades.

A educação financeira, vista da ótica de integradora, é primordial na medida em que o dinheiro está inserido em praticamente todos os aspectos do cotidiano. Aprender a trabalhar com valores desde a primeira infância faz com que as crianças desenvolvam um maior senso de responsabilidade, e se tornem adultos que, mais do que saber como fazer a gestão financeira, também vão utilizar os recursos de forma inteligente. É válido, também, acrescentar que a educação tem um efeito multiplicador, uma vez que os estudantes, ao compartilhar com os pais os conhecimentos adquiridos em sala de aula, replicam e transferem para eles as noções adquiridas nos diferentes contextos, ensinando-os como se comportar diante das mais variadas condições encontradas no cotidiano.


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