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Estado de Minas

Peru e o câncer da corrupção

A Odebrecht usava, no país andino, o mesmo sistema imposto no Brasil descoberto pela Lava-Jato


postado em 10/10/2019 04:00 / atualizado em 09/10/2019 19:17

Rene Berardi
Doutor em sociologia e professor do Isae Escola de Negócios  

A recente crise política no Peru, provocada pela dissolução do Congresso, decidida legalmente pelo presidente Martin Viscarra, obedece a diversos fatores políticos e não políticos. Na área política, a decisão presidencial obedeceu a que o Parlamento aprovou o nome de um membro do Tribunal Constitucional que estava seriamente questionado pelo governo, pelo fato de ser primo do presidente do Congresso, Pedro Olaechea. Além de não ser transparente esta eleição, pois não permitiria avaliar pessoalmente o candidato, além de ter antecedentes controvertidos, o governo queria que se aprovasse um voto de confiança para chegar a um processo de seleção mais transparente dos membros do Tribunal Constitucional.

No entanto, outros fatores não políticos foram decisórios para desencadear a crise. A empresa brasileira Odebrech desenvolveu um processo amplo de corrupção política no Peru, gerando a prisão de três ex-presidentes e o suicídio de um quarto. Isso foi causado pela instalação da Lava-Jato peruana, realizada por procuradores de Justiça e que provocou a prisão dos ex-presidentes e de outros políticos. A Odebrecht usava, no país andino, o mesmo sistema imposto no Brasil descoberto pela Lava-Jato, usando codinomes para esconder os políticos que recebiam caixa 2.

A história promete ganhar novos capítulos nos próximos dias. O diretor da Odebrecht no Peru, Sergio Barata, está depondo na Justiça Federal, em Curitiba (PR), e prometeu abrir os nomes dos codinomes utilizados pela empresa no Peru. Esse seria um dos fatos que o Congresso peruano quer esconder e promoveu a eleição dos membros do tribunal pelo sistema tradicional, ao qual o governo de Viscarra se opôs e gerou a dissolução do Parlamento.

É impressionante observar como o sistema de corrupção promovido pela Odebrecht teve sua ação continental. São 11 países onde a empresa atuava que estão realizando suas próprias operações contra a corrupção, que acabou levando dezenas de figuras públicas para a cadeia. Uma demonstração de que a corrupção era um ''processo sistemático''que alcançava todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) na América Latina. Agora, "lava-jatos" respalhadas pelo continente buscam extirpar esse câncer.

Como sempre, o povo é o principal afetado pelos esquemas. A população que luta para viver é a mais afetada, principalmente pela falta de emprego, pois uma crise política como a do Peru gera um ambiente de volatibilidade econômica, impactando, diretamente, as oportunidades de investimentos no país e, consequentemente, na geração de empregos.


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