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Violência e a saúde mental infantil

O dano se agrava considerando que, geralmente, o testemunho da violência é acompanhado por falta de serviços públicos


postado em 08/10/2019 04:00

Ângela Mathylde 
Psicopedagoga e organizadora do www.brainconnectionbrasil.com

A violência contra crianças é um problema grave e mundial. Conforme dados do Unicef, mais de 29 milhões de bebês nasceram em áreas afetadas por conflitos em 2018, como as guerras no Afeganistão e na Síria. Não é novidade que ter contato com a violência ou sofrê-la gera grandes impactos, mas, quando isso acontece durante a primeira infância, ou seja, nos primeiros cinco anos de vida, os danos são profundos.  Ansiedade, depressão e transtorno pós-traumático são alguns dos problemas que podem surgir ao presenciar cenas violentas.

Durante a primeira infância, a criança desenvolve as capacidades cognitivas, cria laços e aprimora a sociabilidade. A etapa é crucial para o desenvolvimento apropriado, porém, muitas vezes, a fase é atrapalhada ou interrompida direta ou indiretamente pela violência, física, sexual ou testemunhal.

O Rio de Janeiro, por exemplo, passa por conflitos que causaram a morte de várias crianças, vítimas de bala perdida. Presenciar esse tipo de acontecimento, ter que se esconder de tiroteios e perder pessoas amadas nas ruas gera um trauma infantil muito grande.

É muito difícil para os pequenos terem uma experiência de aprendizado positiva escolar quando a tensão e medo do que acontece nas ruas são constantes. O dano se agrava considerando que, geralmente, o testemunho da violência é acompanhado por falta de serviços públicos, amparo social, ausência de estrutura em casa e, até mesmo, violência dentro da própria residência. O cotidiano da criança é modificado em função da violência e a visão de mundo é profundamente impactada pelo que presencia.

Ainda existem outras formas de violência que geram muita preocupação nessa fase. Conforme dados do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva/SVS/MS), do Ministério da Saúde, 18% dos registros de violência sexual acontecem contra crianças de até 5 anos. O impacto decorrente desse tipo de violência gera repercussões negativas para a vida, prejudicando profundamente a sociabilidade e a autoestima.

Entre crianças pequenas, os traumas podem se manifestar de forma diferente, já que, muitas vezes, as habilidades de se comunicar e expressar o que sentem ainda não estão completamente formadas. Algumas crianças não conseguem colocar em palavras seus sentimentos, resultando em choros constantes, irritabilidade e medo de dormir sozinhas, por exemplo.

Mais que combater a violência na primeira infância, é preciso lutar para preservar essa fase o máximo possível. Garantir que toda criança tenha o amparo necessário é essencial para prevenir danos que impactarão e, muito, a vida de um adulto que não teve o apoio necessário durante a infância. O combate à violência contra as crianças é um dos temas que vão ser abordados no Congresso Internacional Brain Connection 2019, de 21 a 23 de novembro, em Belo Horizonte.


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