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Trump: economia é a chave da reeleição?


postado em 06/10/2019 04:00

Carlo Barbiei
Analista político, economista e presidente do Grupo Oxford, empresa de consultoria brasileira nos EUA

Em meio à ameaça de impeachment, o presidente Donald Trump começou, oficialmente, sua corrida à reeleição. Trump defende que ‘a América voltou a ser grande novamente’ em seu governo e que “é talvez a melhor economia que tivemos na história de nosso país”. Alguns dados econômicos confirmam essa afirmação. O crescimento do PIB segue a projeção e a recuperação da economia é pulsante.

Uma economia mais forte deu cobertura ao Federal Reserve, no ano passado, para acelerar seu ritmo de aumento da taxa de juros. Antes de 2017, o Fed tinha aumentado as taxas apenas duas vezes ao longo de dois anos e este ano deve baixar a taxa, brevemente, e com isso manter o ritmo de crescimento.

O fortalecimento do mercado de trabalho é outro fator incontestável alcançado na gestão Trump. À medida que a economia se aproxima do pleno emprego e os salários seguem aumentando, os efeitos desse novo cenário geraram aumento do consumo e da produtividade nos Estados Unidos, que registraram a taxa de desemprego mais baixa em quase meio século.
A expansão econômica dos Estados Unidos é o grande argumento da campanha. O último dado trimestral do PIB americano, 3,2%, surpreendeu os analistas e foi motivo de grande celebração para o republicano. A diminuição dos impostos para as corporações americanas, que baixou de 35% para 21%, também é um ponto alto. Em suma, o presidente Trump começou seu governo atraindo de volta aos EUA empresas, aumentou a geração de empregos, o consumo e o PIB. O resultado foi o aumento do poder de compra e melhora na qualidade de vida dos americanos, fatores que devem pesar muito mais do que a consonância ideológica com Trump na hora de votar.

Os resultados econômicos da gestão Tump favoreceram, também, o mercado para iniciativas estrangeiras se posicionarem nos EUA. Dados do Mapa Bilateral de Investimentos Brasil-EUA, desenvolvido pela Apex-Brasil em parceria com o Brazil/U.S Business Council e a Amcham Brasil, mostram que os Estados Unidos foram a segunda maior origem das importações brasileiras, totalizando US$ 25,1 bilhões em 2017. Do ponto de vista americano, o Brasil foi o 12º maior mercado de destino de suas exportações, com 2,08 % do total, e foi o 17º maior fornecedor de bens e serviços importados nos EUA em 2017, com 1,20% do total.

 cada vez maior o número de empresários brasileiros que apostam no mercado americano para proteger seus patrimônios e garantir seus investimentos. Detectamos um aumento de 25%, somente este ano, na procura por internacionalização de negócios brasileiros nos EUA. O mesmo acontece com empresários do mundo todo, o que nos remete ao indício de que a economia americana segue mostrando solidez e confiabilidade.

A entrada de investimentos brasileiros nos EUA, além dos motivos óbvios mencionados acima, traz, consigo, o fortalecimento das empresas e empreendedores por terem uma moeda forte em seu portfólio e o processo educativo de como funciona um país de real livre iniciativa.

O Mapa Bilateral de Investimentos Brasil/USA 2019 revela, também, que o estoque de IED (investimento estrangeiro direto) brasileiro nos Estados Unidos cresceu 356% entre 2008, quando era de US$ 9,3 bilhões, para US$ 42,8 bilhões em 2017. Trump deve usar todos esses fatores econômicos como força central na campanha de reeleição.

O que a política americana pode esperar para os próximos meses é uma acirrada disputa entre ideologia e números reais. As vantagens do cenário econômico são indiscutíveis, mas existem pontos de vulnerabilidade a serem trabalhados. Apesar de a economia ser o ponto forte da reeleição de Trump, o presidente não é visto como um dos mais populares. Existe muito trabalho a ser feito.


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