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Estado de Minas

Bolsonaro, um mini-Trump (NYT)


postado em 30/09/2019 04:00

Fábio P. Doyle
Da Academia Mineira de Letras
Jornalista

Era o que seria de se esperar. Os frustrados e saudosistas das falcatruas petistas não iriam gostar nem aplaudir, qualquer que fosse o teor do discurso; os seguidores e aliados, ovacionar; os nem de um lado ou de outro, neutros e isentos, fariam o julgamento justo e devido.  Estamos falando, já se percebe, do discurso do presidente Jair Bolsonaro como orador oficial da sessão solene de abertura da 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, EUA.

Foi na terça-feira da semana passada. Dizer o que foi e como foi é descrever o que todos já sabem, obviamente, os que se interessam por política, pelas relações com outros países, pela Amazônia, pelo prestígio e pelo respeito que o Brasil precisa ter diante das demais nações do mundo. Foi um momento histórico que ficará gravado na memória de todos os que acompanharam a sessão, e nos anais dos grandes momentos daquela organização mundial.

Nunca antes uma sessão de abertura da ONU e o discurso de um presidente brasileiro despertaram tanto interesse, observou, na véspera, um jornalista que representa, nos Estados Unidos, um grupo empresarial da imprensa brasileira, o grupo Globo. Interesse não apenas no Brasil, nem só nos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, seria o segundo orador. Mas no mundo todo. Até então, desde o chanceler Osvaldo Aranha, que em 1945 inaugurou a tradição, nossos presidentes abrem a assembleia com discursos amenos, neutros, diria alguns quase beirando a humildade diante dos poderosos. Orações vazias de conteúdo mais afirmativo. Frases feitas e repetidas, ano após ano: "O Brasil é um país pacífico"; "O brasileiro é um povo acolhedor"; "Somos  bons amigos de todos os povos", e por aí. Mesmo que provocados, mesmo que maltratados, mesmo que invadidos em nossas questões internas, mesmo que ameaçados, assaltados, corrompidos, ignorados e humilhados. Os discursos, vazios sempre, não despertavam interesse, eram ouvidos e lidos, depois, apenas pelos seus autores.

Com Bolsonaro, terça-feira passada, dia 24, aquela morneira acabou. Esperamos que para sempre. Ele disse o que tinha e deveria dizer. Denunciou e atacou os que deveriam ser denunciados e atacados. Foi afirmativo, positivo, concreto, transparente, falou e denunciou  de frente, olhando nos olhos dos que eram por ele acusados por malfeitos prejudiciais ao nosso país e ao nosso povo. Ainda não bem recuperado da quarta operação a que se submeteu em decorrência da facada "de um esquerdista", conforme afirmou, ele foi a Nova York com sacrifício pessoal, e preocupação de seus cirurgiões, especialmente para, no seu discurso, restaurar e restabelecer a verdade sobre temas polêmicos que envolvem seu país, seu governo, a América do Sul,  e a Amazônia. Criticou os regimes ditatoriais comunistas de Cuba e da Venezuela, lamentou o posicionamento agressivo de alguns dirigentes de nações, citou aquele, sem mencionar seu nome e seu país (Emmanuel Macron, da França), que o chamou de "mentiroso", e condenou os jornais, jornalista (alguns entre aspas...) e TVs nacionais e internacionais que distorcem os fatos para denegrir a imagem do Brasil e dele próprio.

Fez um relato da situação em que encontrou o país ao assumir a Presidência, e as medidas tomadas por ele e sua equipe e que já mostram resultados positivos, como a queda da violência, da inflação e do desemprego. Fez referência elogiosa ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o juiz federal que promoveu a Operação Lava-Jato e que tenta, com o projeto anticrime, paralisado, por implicância de Rodrigo Maia, na Câmara dos Deputados, conter e punir os corruptos.

O final de seu discurso, ouvido atentamente e em silêncio pelas delegações estrangeiras (Angela Merkel não afastou o fone da tradução do ouvido), foi sobre a Amazônia, desmentindo informações sobre sua destruição por queimadas e afirmando que a floresta não é o "pulmão do mundo" nem patrimônio da humanidade, pertence ao Brasil, não admitindo quebra de nossa soberania sobre seu território.

Os recalcados que, mesmo sem ouvir, criticavam o orador e o seu discurso, continuaram, encerrada a sessão, a repetir, idiotamente, a toada. Os bolsonaristas, aplaudindo. Os analistas independentes, em sua maioria, elogiando. "Goste-se ou não, Bolsonaro fez um discurso de estadista. Sem deixar de ser Bolsonaro, claro", publicou o Antagonista, sempre rigoroso em seus julgamentos. "Fez um discurso altivo, corajoso, verdadeiro, soberano, reafirmando compromisso com valores e princípios como democracia, família, liberdade religiosa", disse Onyx Lorenzoni. "Excelente discurso", afirmou Olavo Carvalho. "Discurso histórico. O Brasil entrou, definitivamente, para o grupo das nações que ditam os rumos da humanidade" – Marco Feliciano, deputado paulista. "O presidente foi incisivo, direto, soberano" – Hamilton Mourão, vice-presidente da República. "Foi a primeira vez que tive orgulho do presidente de meu país" – Monique Lima, leitora do EM.

Dos contrários, o coro lulista liderado pela já denunciada Gleisi Hoffman repete em eco: "Um discurso vazio, nada de concreto". Outro, de Bruno Rodriguez, chanceler de Cuba: "Rejeito as calúnias contra Cuba". Além da estranha unanimidade de opinião, contra Bolsonaro e seu discurso, de comentaristas de uma TV. Para agradar ao patrão?

O melhor foi o que o New York Times comentou depois do discurso: "Bolsonaro é um mini-Trump".  Melhor seria "um brazilian Trump". De qualquer forma, o presidente e os brasileiros agradecem.

Donald Trump foi o segundo orador. Também leu o texto que levou pronto. Foi objetivo, direto, impositivo, deu o seu recado sem disfarces. Analisou com frieza e clareza a situação do mundo. Condenou o governo iraniano, dominado por terroristas que teriam, dias antes, destruído poços e reservas petrolíferas da Arábia Saudita, e ameaçado atacar Israel: "Os EUA não permitirão", afirmou, depois de dizer que seu país "é o mais poderoso do mundo". Foi aplaudido de pé ao encerrar seu também histórico discurso.

A abertura da 74ª Assembleia Geral da ONU ficará na nossa história,  e na daquela organização, como uma das mais importantes já ali realizadas.


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