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Estado de Minas EDITORIAL

Feminicídio, o horror que mata

%u201CA cada três dias, uma mulher foi vítima de ato letal e hediondo semelhante, na capital do país.%u201D


postado em 16/09/2019 04:00

No sábado, familiares e amigos sepultaram o corpo de Lilian Cristina da Silva, 25 anos, assassinada com uma facada no coração pelo ex-namorado, Jhonnatan Neto, 36. Ao confessar o crime, ele disse que matou por ciúmes. Foi o 20º caso de feminicídio, entre janeiro e este mês no Distrito Federal. Ou seja, a cada três dias, uma mulher foi vítima de ato letal e hediondo semelhante, na capital do país.

Não é só o Distrito Federal onde essa violência contra o universo feminino se alastra. Em todo o país, em 2018, 253.067 mulheres foram vítimas de agressões dolosas — um registro de violência a cada dois minutos —, segundo o 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada. O estudo mostra ainda que 1.209 mulheres foram executadas, sendo que, em 88,8% dos casos, o autor foi o companheiro, o namorado ou o ex.

Os números, reconhecem as autoridades, são subestimados, pois nem todas as agressões são denunciadas. Boa parte dos órgãos de segurança não está capacitada ou dá pouca importância aos pedidos de socorro das mulheres que se sentem ameaçadas pelo namorado, marido, companheiro ou por romper um relacionamento.

Em 2015, o homicídio por gênero foi introduzido no Código Penal, com a edição da Lei nº 13.104. A pena varia de 12 a 30 anos de reclusão. Esse marco legal fortaleceu a Lei Maria da Penha, que penaliza os agressores de mulheres, nos casos de violência doméstica. Contaminados pelo machismo e pela abominável ideia de que a mulher é sua propriedade, os homens seguem agredindo e matando o gênero oposto. Dessa forma, no ranking mundial, o Brasil ocupa a quinta posição em mortes violentas de mulheres.
Hoje, há eventuais espasmos entre homens preocupados com o aumento do feminicídio e com as diversas expressões de violência física, psicológica e moral contra a mulher, que têm como gatilho o machismo entranhado na cultura e na educação masculina. Rodas de conversa para debater o comportamento dos homens foram registradas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Em Brasília, iniciativa semelhante vem ocorrendo, por meio do grupo Homens em Conexão, que reúne integrantes de diferentes idades e formação, com a missão de “incentivar a conexão consciente, com uma linguagem nova e espontânea, criando um espaço de confiança, força e amorosidade masculina”. Em comum, esses grupos têm a proposta de desconstruir a cultura machista, que deprecia, coisifica, desrespeita, agride e mata a mulher.

O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, reconhece que "o crime (feminicídio) é de difícil prevenção, mas de fácil elucidação". Para ele, a prevenção exige a parceria da sociedade. A declaração impõe grande desafio às autoridades policiais e aos órgãos responsáveis pelas políticas destinadas à parcela feminina da sociedade. Campanhas, reestruturação das delegacias, das unidades hospitalares e, sobretudo, no campo da educação, em todos os seus níveis, a partir da infância, são ações que podem contribuir para descontaminar o país dessa doença do horror e que leva à morte de mulheres.


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