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Estado de Minas

Sustentabilidade dos oceanos

Além do avanço nas pesquisas, é necessário ampliar o conhecimento da sociedade sobre os oceanos


postado em 25/08/2019 04:00

Alexander Turra
 
Cátedra Unesco para sustentabilidade dos oceanos, professor do Instituto de Estudos Avançados e do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza
 
 
A busca da sustentabilidade dos oceanos depende, fortemente, de conhecimento científico sólido e abrangente. Entretanto, a capacidade de geração de informações e a produção científica para os oceanos é bastante variável entre os países.
O Relatório Mundial sobre a Ciência Oceânica, publicado em 2017, revelou que o Brasil apresentou importante crescimento recente na produção de conhecimento sobre ciências marinhas, consolidando papel de destaque na América Latina e no Atlântico Sul. Na escala mundial, o Brasil figura como o 11º país com maior número de artigos científicos publicados. A pesquisa oceânica é prioridade pública, mas ainda padece do baixo nível de internacionalização e da escassez e oscilações de fontes de financiamento.
 
Embora o Brasil seja entendido como país emergente nesse contexto, muito ainda há que ser feito para compreendermos e gerenciarmos os oceanos de forma sustentável. Além do avanço nas pesquisas, é necessário ampliar o conhecimento da sociedade sobre os oceanos e, em especial, o uso do conhecimento científico na tomada de decisão.
 
Surge nesse, então, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. A década foi proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU), entre 2021 e 2030, e visa produzir "a ciência que precisamos para o oceano que queremos". Esse objetivo está alinhado, fortemente, ao documento “O futuro que queremos”, resultante da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, realizada em 2012, no Rio de Janeiro.
 
Para superar esse desafio, uma nova forma de pensar e fazer ciência deve ser estimulada no país. A cátedra Unesco para sustentabilidade dos oceanos foi criada junto ao Instituto Oceanográfico e ao Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo como uma ação catalisadora dessas frentes. A cátedra Unesco pretende integrar esforços em rede, estimulando a pesquisa interdisciplinar e integrada, promovendo a cultura oceânica (do inglês ocean literacy) e ampliando o diálogo entre as ciências do mar, a sociedade e as políticas públicas. Em conjunto com diversas outras iniciativas que têm emergido no país, a cátedra pretende fortalecer a participação e o controle social com vistas à busca da sustentabilidade dos oceanos.
 
Como exemplo das sinergias que estão sendo promovidas para esse fim, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a cátedra e a Fundação Grupo Boticário produziram e estão disseminando a versão em português do material de divulgação da Década no Brasil. Com isso, espera-se que não somente a comunidade científica, mas toda a sociedade possa se envolver e contribuir para elevarmos o oceano à prioridade que ele deve ter, dada sua importância e as agressões que vem sofrendo. O lançamento dessa publicação será em 3 de setembro próximo, no evento Conexão Oceano. Comunicar. Engajar. Proteger, realização da Fundação Grupo Boticário, Unesco e Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, marcando essa nova fase dos oceanos no Brasil. 
 
 


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