Publicidade

Estado de Minas EDITORIAL

Cenário de dificuldades

Não bastasse o fantasma da recessão, o cenário externo também vem colaborando para criar incertezas econômicas


postado em 14/08/2019 04:00 / atualizado em 13/08/2019 18:25

Desanimadora a notícia de que o Brasil pode viver novo período de crescimento negativo, com a divulgação, pelo Banco Central (BC), da prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que teve retração de 0,13% entre abril e junho. Se a projeção do BC for confirmada, no final do mês, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país entrará, oficialmente, em recessão técnica – isso ocorre quando há queda do PIB por dois trimestres consecutivos. Não bastasse o fantasma da recessão, o cenário externo também vem colaborando para criar incertezas econômicas. A vitória do peronismo nas prévias das eleições presidenciais na Argentina – leia-se retorno do populismo – e a guerra comercial entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do planeta, também contribuem para a aposta no adiamento do crescimento brasileiro.
 
O quadro é de dificuldades, mas ainda há esperança de reação. Especialistas acreditam que o PIB esboçará reação no segundo semestre, mas que sua evolução positiva, em 2019, não passará de 0,8%, abaixo da taxa de 1,12% de 2018, o que pode ser comparado a um desastre. Muitos acreditam em crescimento de apenas 0,4%, o que é insignificante frente às projeções de sete meses atrás, com a chegada na Esplanada dos Ministérios de uma equipe econômica liberal, que, na avaliação dos economistas, finalmente destravaria a economia de suas amarras. Mas o que se viu foi justamente o contrário: a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto caía a todo mês, até chegar ao temor de dois semestres negativos seguidos.
 
Vozes no governo dão o tom otimista, quando saem em defesa de medidas recentes que podem alavancar o processo econômico. Citam, como exemplos, a liberação de recursos do Fundo de Garantia, a mudança nas regras do mercado de gás e a reforma da Previdência, que apesar de ainda estar em tramitação no Congresso, já vem ajudando a criar um clima de confiança entre os investidores. Também fazem parte desse pacote de bondades do Planalto o programa de concessões e privatizações tocados pelo Ministério da Infraestrutura, os leilões de campos de petróleo do pré-sal e a reforma tributária, uma promessa para este ano.
 
Integrantes da equipe econômica jogam suas fichas na aprovação, pelo Congresso Nacional, da MP 881, conhecida com MP da Liberdade Econômica, que tem potencial de soerguer a economia. Ela é calcada em três pilares. O primeiro, voltado para o empreendedorismo, com a facilitação da abertura de empresas. O segundo foca na redução de impostos e na preservação da concorrência, além da limitação dos abusos perpetrados pelo Estado. O terceiro foi concebido para estabilizar e garantir a segurança jurídica, um dos maiores entraves para novos investimentos, sobretudo os estrangeiros.
 
Certo é que as expectativas otimistas se concretizarão, com a devida urgência, se o Palácio do Planalto voltar toda a sua atenção para a aprovação da reforma tributária ainda neste ano, e na viabilização das demais propostas da equipe econômica visando romper as barreiras que ainda prendem a economia a crenças do passado. Tudo isso de olho nas turbulências externas que podem ocorrer e prejudicar o país. Mais uma vez, o Brasil não pode esperar.


Publicidade