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Estado de Minas

A saúde e a longevidade


postado em 28/07/2019 04:19

A acentuada mudança no perfil etário da população do Brasil e do mundo está, paralelamente, provocando alterações no perfil das epidemias. Há a expansão de enfermidades degenerativas, tais como o câncer, doenças cardíacas, neurológicas e musculoesqueléticas (artrose, artrite reumatoide, dores lombares).  Em contrapartida, ocorre uma diminuição de doenças infectocontagiosas, tais como caxumba, sarampo, tuberculose.

Devido à crescente incidência das doenças degenerativas, ampliou-se a complexidade e aumentaram-se os custos dos cuidados médico-hospitalares. Há, agora, diante de nós, o desafio de como ajustar toda a estrutura de saúde a essa nova realidade. É fundamental que os hospitais estejam preparados do ponto de vista tecnológico.

Concomitantemente, há a necessidade de se formarem profissionais capacitados às demandas destes novos tempos, sejam eles médicos, enfermeiros, cuidadores e funcionários em geral. Todos devem estar aptos para lidar com as sucessivas novidades de ferramentas e aplicativos desta acelerada era da tecnologia digital. Concomitantemente, é imprescindível que se priorize a construção de lar para idosos.

Este conjunto de medidas deve estar combinado com a primazia à preservação ambiental e, ainda, à disseminação de hábitos pessoais relacionados à vida saudável. Em termos gerais, o que se requer – tanto no  macrocenário das políticas públicas quanto na microesfera individual do cotidiano de cada um de nós – é o contínuo desenvolvimento da cultura de prevenção, que por longo período tem sido negligenciada.

Já era previsível que chegaríamos a um ponto, no Brasil, em que a população situada na faixa da idade ativa (entre 15 e 64 anos) seria inferior à população de dependentes (idosos e crianças). Isso ocorrerá até o final deste ano. O bônus demográfico (no qual o número de habitantes ativos supera o total de brasileiros considerados dependentes) está se encerrando.    

O fato é que perdemos a nossa longa era de ouro do bônus demográfico, em que havia muito mais gente ativa para prover os recursos necessários à Previdência Social e às políticas públicas de saúde, especialmente as direcionadas aos idosos. Durante esse imenso período, deveríamos ter investido mais em educação, com vistas ao aumento da produtividade nacional, como fizeram alguns países asiáticos, entre eles a Coreia do Sul, nas décadas de 1960 e 1980.  Mas, enfim, deixamos passar o bônus demográfico, imaginando-o eterno.     

 Nos últimos 100 anos, após a Primeira Guerra Mundial (1914/1918), houve um exponencial salto tecnológico na produção dos alimentos, no desenvolvimento da medicina (incluindo as imunizações), na difusão da eletricidade, na evolução dos cuidados com a saúde e com o meio ambiente, especialmente no que diz respeito ao saneamento básico. Em 1928, Alexander Fleming descobriu a penicilina, possibilitando a cura de doenças até então fatais, salvando a vida de milhões de pessoas. Os progressos científicos e tecnológicos, bem como a melhoria do bem-estar social, fizeram com que as pessoas vivessem muito mais.  

Em um país ainda com tanta desigualdade, a prioridade máxima tem de ser a educação, até mesmo para que a população entenda o valor da prevenção e minimamente saiba perceber os sinais precoces das doenças mais comuns, com vistas a recorrer à orientação médica. Concomitantemente, o país precisa, também, conferir prioridade máxima ao saneamento básico, sabendo-se que apenas metade dos domicílios brasileiros está conectada à rede de esgoto. E nunca é demais repetir que se deve ampliar o investimento e a abrangência da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e do Sistema Único de Saúde (SUS).  

Como se vê, nós brasileiros temos muito trabalho pela frente.


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