Publicidade

Estado de Minas

Gravidez e doenças reumáticas


postado em 26/07/2019 04:08

Uma das grandes questões envolvendo as mulheres com doenças reumáticas é o medo de não engravidarem. Elas representam o maior percentual do público atingido por patologias autoimunes. Nos últimos anos, com o avanço no diagnóstico e tratamento, a gravidez nas mulheres com doença reumática já é uma realidade de sucesso. As doenças reumáticas, atualmente, apresentam restrição para gravidez apenas naquelas que atingem órgãos com maior risco, como pulmão e rim. Algumas doenças reumáticas, como o lúpus eritematoso sistêmico, têm uma tendência a piorar durante a gestação e também no período pós-parto, por isso o acompanhamento dessas mulheres deve ser feito por um reumatologista e obstetra experientes durante toda a gravidez. 
A decisão sobre engravidar deve ser tomada em uma conversa com o médico, sendo baseada em três fatores: atividade da doença, o uso de medicamentos e as doenças associadas. É extremamente importante uma avaliação antes da concepção. O lúpus, por exemplo, é uma doença flutuante, caracterizada por períodos de atividade e remissão. Uma maior chance de gestação bem-sucedida requer que a doença esteja inativa por pelo menos seis meses. Algumas doenças, como a artrite reumatoide, geralmente melhoram a atividade durante a gravidez, sendo possível, muitas vezes, reduzir e até mesmo suspender o tratamento nesse período.
Antes e durante a gravidez, o reumatologista deve estar ciente de todos os medicamentos utilizados pela paciente, sendo necessária a troca de alguns antes mesmo de engravidar. Entretanto, existem algumas drogas que reduzem o risco da gestação e do feto. A hidroxicloroquina, por exemplo, é uma medicação redutora da atividade do lúpus, reduz o risco de bloqueios cardíacos fetais, desenvolvimento da trombose e perdas gestacionais que podem ocorrer em quem tem lúpus.
A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, mais conhecida como SAF, é uma doença autoimune que pode levar a abortamentos consecutivos e tromboses. Contudo, os exames para o diagnóstico e o tratamento instituídos nos últimos anos revolucionaram e ampliaram as perspectivas. As técnicas de fertilização in vitro também apresentaram um grande avanço e já são possíveis, também, em mulheres com doenças reumáticas.
As últimas pesquisas revelam que a grávida com lúpus sofre mais com pré-eclâmpsia (pressão alta durante a gestação), tromboembolismo e parto prematuro. Os problemas podem ser evitados com conversa e avaliação de um reumatologista e obstetra, antes de engravidar. É preciso saber qual é a doença autoimune e a gravidade do comprometimento para  avaliação do risco relativo. Cada caso é um caso e o médico saberá conduzir da melhor forma possível. 
A decisão de engravidar entre as mulheres reumáticas é complexa e de extrema importância, sendo um dos assuntos que serão abordados na 11ª Jornada Mineira de Reumatologia, apresentando as novidades e tendências no acompanhamento e tratamento da artrite reumatoide durante a gravidez e amamentação, e acompanhando mulheres com lúpus durante a gravidez e infertilidade.
A gravidez pode ser liberada, dependendo da gravidade. Um bom planejamento com a adequada ajuda profissional evita problemas. O reumatologista deve avaliar cada caso e o ideal é somente engravidar quando a doença estiver totalmente controlada, por pelo menos seis meses. Antes de engravidar, a recomendação é conversar com o reumatologista, já que alguns medicamentos devem ser avaliados e, assim, é possível tratar e prevenir problemas. Saber identificar os fatores de risco é essencial para alcançar uma gestação de sucesso.


Publicidade