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Estado de Minas

Nutrição nas escolas

A obesidade, há poucos anos, juntou-se a outras doenças nutricionais %u2013 motivo de preocupação da OMS


postado em 22/07/2019 04:14

Profissionais da área de nutrição (nutricionistas, nutrólogos, pediatras etc.) e pedagogos estão apreensivos com a decisão do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, de liberar a comercialização de alimentos de alto teor calórico e baixo valor nutritivo nas cantinas escolares. É de se estranhar a aquiescência da Secretaria Estadual de Educação. Alega o governador que educação alimentar deve ser dada em casa. Esta ideia não é compartilhada pelas autoridades em nutrição do mundo e muito menos pela Organização Mundial de Saude (OMS). Há um movimento internacional no sentido de dar educação nutricional nas escolas. Recentemente, houve um congresso sobre obesidade infantil na Irlanda e ressaltou-se a importância da educação alimentar nas escolas. Muitos pais não têm condições – e por que não dizer? – competência para cuidar da alimentação dos filhos.
 
Sabe-se que uma alimentação inadequada na infância é responsável por diversas doenças na infância, e, também, na idade adulta. Cite-se o exemplo da obesidade, que é uma doença grave por si mesma e por predispor a diversas outras doenças. Na verdade, o indivíduo gordo, comparado com o indivíduo de peso normal, tem maior probabilidade de morrer de muitas causas. Dados epidemiológicos mostram que criança gorda na idade pré-escolar tem 32% de chance de ser um adulto obeso. Se o excesso de peso ocorre na idade escolar, esse número eleva-se para 50%. Se há excesso de peso na adolescência, a probabilidade de obesidade na idade adulta sobe para 80%.
 
A obesidade, há poucos anos, juntou-se a outras doenças nutricionais – motivo de preocupação da OMS: deficiência proteico-energética, deficiência de vitamina A, deficiência de iodo e deficiência de ferro. Em muitos países, a educação alimentar é parte do currículo escolar. Dinamarca e México sobretaxaram produtos com alto teor calórico e baixo valor nutritivo, como refrigerantes. O consumo desses alimentos diminuiu, significativamente, com o consequente aumento do preço.
 
Há alguns anos, eu e outros médicos, preocupados com bons hábitos nutricionais na infância, entramos em contato com a Secretaria de Estado de Educação. Sugerimos uma intervenção nas escolas estaduais para que houvesse orientação sobre uma boa alimentação. O trabalho seria voluntário. Dispusemo-nos a recrutar nutricionistas, médicos, educadores físicos para essa tarefa. Houve duas reuniões na Secretaria de Educação e o assunto morreu. Nunca se soube por quê."


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