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Estado de Minas

Mataram a mãe de 8 filhos. Serão punidos?


postado em 24/06/2019 04:05

Será que ficarão arrependidos? Será que diante da tragédia que provocaram não farão mais o que vêm fazendo, irresponsável e criminosamente, em supostas manifestações de protesto? Vamos esperar e rezar. Sem muita confiança.

Uma senhora, mãe de oito filhos e muitos netos, vinha de ônibus de Santa Luzia para trabalhar em BH. Seu nome: Edi Alves Guimarães, 53 anos. Trabalhava, e sempre trabalhou pesado, para poder criar, dar o conforto possível e a educação escolar necessária, à sua numerosa família. Era o longo e cansativo o trajeto que cumpria no seu dia a dia. Na manhã de sexta-feira da semana atrasada, o ônibus em que viajava foi obrigado a parar na Avenida Antônio Carlos, em frente à entrada principal do câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais. Manifestantes, que se diziam estudantes, misturados com agitadores sindicalistas, petistas, comunistas, juntaram no meio das duas pistas da avenida uma barreira formada por restos de madeira de obras, papéis, pneus velhos, móveis quebrados ou furtados das casas e prédios  da região, neles colocando fogo. Com faixas, gritos histéricos e jogando pedras nos policiais que tentavam conter os arruaceiros, obrigavam todos os veículos que circulavam nos dois sentidos a parar, provocando enorme engarrafamento.

Um dos primeiros a parar junto da barreira foi o ônibus que transportava a senhora Edi Alves Guimarães. A fumaça negra e tóxica tomou conta de tudo, do interior do ônibus também. Alguns passageiros conseguiram sair do veículo. Dona Edi não conseguiu, intoxicada pela fumaça. Teve dificuldade para respirar, desmaiou. Passageiros, ao seu lado, seus amigos, tentaram reanimá-la, sem conseguir. Policiais perceberam a confusão formada, entraram no veículo e carregaram a vítima para fora, tentaram dar-lhe socorro, mas seu estado era grave. Levaram-na para o hospital, onde foi internada na Unidade de Terapia Intensiva, onde faleceu na tarde de  segunda-feira, dia 17.

O protesto incendiário e homicida dos supostos estudantes e  marginais, segundo seus organizadores, seria contra a reforma da Previdência e contra o dito "corte", na verdade contingenciamento, de verbas destinadas a despesas supérfluas do ensino superior. Um ato criminoso, sem nenhum sentido, a não ser tumultuar a vida do país. Igual, com fogo e tudo, a tantos outros do mesmo gênero e mesma consequência, sem que se saiba da prisão, pela autoridade policial, dos autores de atentados incendiários, logo criminosos, nem que a Justiça tenha condenado algum deles. Por isso, eles, os marginais profissionais, continuam provocando engarrafamentos, incêndios e mortes, deixando na orfandade, chorando, os oito filhos e os netos de dona Edi. E de dois rapazes que morreram, há alguns meses, quando tentavam escapar da barreira e da fogueira, pulando  a mureta de um viaduto para outro, sem perceber que havia um desnível entre as duas pistas. Os dois jovens, um de 22, outro de 21 anos, morreram na queda. Alguma providência policial ou punitiva foi tomada contra os criminosos arruaceiros, que se dizem manifestantes? Nada.  

Tudo indica que, agora, acontecerá o mesmo. A autoridade policial alegará que da suposta manifestação, admissível se pacífica, participaram dezenas de pessoas. Como responsabilizar todos? Acontece que há diferença entre manifestantes e organizadores. Basta apurar quem organizou, quem montou ou mandou montar e incendiar a tal barricada, provocando a morte da pobre senhora, e o crime estará caracterizado, apurado e em condições de ser processado e seus responsáveis, devidamente presos e punidos.

Vale pensar: se alguém, embriagado ou descompensado, incendiar um ônibus qualquer na cidade, tudo ficará por isso mesmo? Até quando vamos ter que conviver, e morrer, com tantos manifestantes agressivos, incendiários, covardes, agindo impunemente, botando fogo em transporte coletivo, montando barricadas nas ruas e avenidas, matando modestas e austeras senhoras mães de oito filhos? Senhores do governo, da polícia, do Judiciário, respondam, se puderem.

Depois do enterro, depois do choro triste e emocionante dos filhos e netinhos de dona Edi, surge um laudo injusto e incompleto, assinado por alguns médicos do Hospital Risoleta Neves. Segundo eles, dona Edi não teria morrido por inalação da fumaça, mas vítima de um mal cardíaco. Só pode ser piada médica. Ela nunca sofreu de problemas de coração. Estava forte e sadia no ônibus, confirmam seus companheiros. Se sofreu alguma crise tão grave e repentina, a inalação da fumaça tóxica foi a causa. Qual a razão de um laudo tão importante, sempre levando semanas, meses em pesquisas, ter sido concluído e divulgado com tanta rapidez? Muito estranho.
 
REFORMA E LEVY – Foi como se esperava e antecipado aqui, há meses, quando da escolha de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara dos Deputados. A reforma da Previdência, necessária, imprescindível, tramita há quase seis meses no vaivém do plenário, das comissões, foi amputada em pontos que o ministro da Economia, Paulo Guedes, considerava essenciais, como a de sua extensão a estados e municípios e da capitalização. Maia prometeu mas não cumpriu, e já havia feito isso antes com a reforma encaminhada por Michel Temer, aprová-la até maio. Não cumpriu e não teve a ajuda do presidente e do relator da Comissão Especial, por ele escolhidos. Prometeu agora para o dia 26. Votação em plenário, só no segundo semestre. Pois é.

Criticam Jair Bolsonaro pela demissão, que provocou, do presidente do BNDES. Talvez a forma usada, revelando o caso em uma declaração à imprensa, não tenha sido a mais recomendável. Mas dizem que Levy se recusava a sair, e a atender orientação que recebia do presidente e do ministro Guedes. O jeito foi aquele. E deu certo. Afinal, presidente que nomeia pode determinar o que deseja seja feito pelo nomeado. Óbvio.


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