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Estado de Minas

A tradição liberal e as liberdades

Certamente, os ventos da sensatez não são os que sopram nas hostes políticas e do setor público nestes anos de angústia e aflição


postado em 22/06/2019 04:07

O saudoso mestre Afonso Arinos de Melo e Franco, cujos exemplos de coragem, sensatez e sabedoria tanta falta têm feito ao mundo político brasileiro nos últimos 20 anos, relata em um dos seus livros de reflexivas passagens autobiográficas, intitulado Diário de bolso, que depois de sofrer um ardiloso processo forçado de 10 anos de ostracismo político, por parte do governo militar, foi convidado pelo professor Orlando Carvalho, da UFMG, para dar a aula inaugural da universidade, em março de 1976. Diz o grande tribuno que o professor, mestre mineiro de teoria do Estado, lhe havia proposto o tema da importância e continuidade do pensamento político mineiro. Por isso, sua aula versou sobre "a tradição liberal e moderada de Minas Gerais, com ênfase especial sobre a permanência dos princípios da liberdade, através da adaptação devido às mutações históricas".
  Feitas as devidas adaptações de suas ideias, pode-se dizer que o mesmo espírito de liberdade, em âmbito geral e irrestrito, ainda prevalece como pressuposto para um Brasil mais dinâmico, democrático e acessível a todos. Afinal, os tenebrosos últimos 20 anos da história política brasileira testemunham como a falta dessa verdadeira liberdade tem refletido em todos os setores nacionais, e sufocado o desenvolvimento do país. Principalmente, diante do gigantismo em que Estado brasileiro se tornou, que, de tão inchado e pesado, paralisou totalmente a normal vida econômica da nação. Passando a ser um torniquete a impedir o destravamento da economia e de sua retomada. Razão pela qual as reformas são imprescindíveis para se desfazer a bagunça instalada, nos últimos 20 anos, de ingerência administrativa e ideológica provocada na contabilidade nacional.
  Curioso é saber que, apesar de haver tantos debates sobre o assunto e sendo do conhecimento de todos da condição pré-falimentar da nação e dos estados federativos, ainda assim uma pequena classe de privilegiados se julga no direito de impedir que medidas saneadoras da saúde fiscal nacional sejam efetivadas. Tudo por prevalecer o imundo espírito corporativo dessa classe de folgados que vive fora da realidade social brasileira. Composta de um pequeno grupo de funcionários públicos, repletos de ilícitas mordomias e privilégios, e, dessa forma, exaurindo toda a economia nacional.
  Como consequência de tais despautérios, inviabilizam a existência das futuras gerações, deixando em troca uma multidão desesperançada pela completa ausência de perspectivas futuras de colocação no mercado de trabalho. E, assim, enchendo de sofrimento uma juventude que deveria viabilizar o país através do seu trabalho e empreendedorismo, e tornando-a, em vez disso, parte de um problema de difícil equalização futura.
 Confirma-se, assim, que certamente os ventos da sensatez não são os que sopram nas hostes políticas e do setor público nestes anos de angústia e aflição vividos pelos elos mais frágeis da população brasileira. Com isso, cria-se uma guerra de narrativas, na qual o mais malandro sempre leva vantagem. Pois a guerra pelo estabelecimento da narrativa traz a vitória sempre ao grupo mais organizado. E esse sempre foi o das corporações do setor público e dos seus defensores. Que em cima de leis imorais de supostos direitos adquiridos, deitam e rolam em cima dos ombros do povo humilde e sofrido desse imenso país. Que é obrigado pela sua fragilidade a carregá-los nos ombros, pois os poucos poderosos que poderiam defendê-los fazem parte também da conspirata.
  Tudo isso é evidente a todos. Pois, quando a população é alvo de políticas sérias e compromissadas com o futuro do seu bem-estar, então, a comunicação é salutar. No entanto, quando os objetivos são escusos, propagam-se mentiras ao mesmo tempo em que a verdade é abafada. Aí se revela a arte do engano, ou seja, a arte de explorar habilmente a boa-fé dos inocentes. Pois os manipuladores das massas sabem que, quase nunca, não é o que de fato acontece que permanece na história, mas sim o que foi ardilosamente urdido para lhe tomar o lugar. Evidenciando, dessa forma, o vale-tudo na guerra para propagar políticas insustentáveis, cujo único objetivo é sempre o benefício de um grupelho de malandrões, a manter intocáveis os seus ilícitos privilégios e mordomias.
  Afonso Arinos ainda relata, a certa altura da citada autobiografia, que o então "presidente da Academia Mineira de Letras, Vivaldi Moreira, no intuito de restabelecer o desaparecido Senado Mineiro na Academia provinciana", o levou a ser eleito por unanimidade, assim "como sucedera com Milton Campos, Pedro Aleixo, Gustavo Capanema e Vítor Nunes Leal". Todos, grandes homens e grandes políticos. Que diria Vivaldi se presenciasse a má sorte que coube ao Brasil nos últimos 20 anos? Pois o corajoso chanceler Afonso Arinos desnudou o país ao dizer: "O Brasil é grande, mas quase sempre os governantes são pequenos". Talvez, por isso, o povo padece. Até quando?


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