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Estado de Minas

A alegria das festas juninas

Parece ser um exercício valioso refletir sobre os motivos que levaram o brasileiro a assumir esses três santos


postado em 22/06/2019 04:07

Junho traz festas de três santos católicos: Antônio, casamenteiro, São João, profeta precursor de Jesus, e São Pedro, único apóstolo que caminhou sobre as águas. Os três momentos deste mês foram incorporados pela cultura popular e convertidos em enormes festas, que, no Nordeste brasileiro, modificam completamente a dinâmica de vida das pessoas. Há, inclusive, a rivalidade do maior são-joão do mundo entre Caruaru (PE) e Campina Grande (PB).
O artigo 215 da Constituição Federal garante a todos o "pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional", afirmando que o Estado "apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais".
Por isso, parece ser um exercício valioso refletir sobre os motivos que levaram o brasileiro a assumir esses três santos para potencializar a sua presença de modo tão marcante na cultura e no folclore de um povo.
Santo Antônio entrou na vida religiosa como agostiniano. Após conhecer Francisco, tornou-se franciscano. Era considerado doutor da Igreja e trouxe esse aspecto mais intelectual ao movimento iniciado por Francisco. Como sua presença foi determinante para a fé em Portugal, é compreensivo que sua devoção tenha sido fartamente difundida no Brasil, que foi dominado pelos portugueses.
São João Batista sempre foi homem do povo. E sua célebre frase, em que disse que não merecia nem atar as sandálias do Mestre, facilita a identificação do povo sofrido com o santo que batizava no Jordão.
Pedro era impulsivo. Disse que Jesus era o filho do Deus vivo. Caminhou sobre as águas, mas teve medo e começou a afundar. Recusou-se a permitir que Jesus lavasse seus pés e, ao mesmo tempo, quis que lhe fosse lavado todo o corpo. Negou Jesus três vezes. Teve o sonho comendo carne de animais impuros e ouviu a voz de Deus dizer que não precisava considerar tais animais impuros. Em seguida, foi guiado à casa de um homem que não era de origem judaica e, pelas circunstâncias, precisou batizá-lo. A humanidade de Pedro impressiona. Por isso, todos gostam dele e se identificam.
Aí, compreendemos por que o povo brasileiro valorizou tão fortemente esses santos e conferiu a eles lugar tão nobre na cultura nacional. Antônio permite uma ligação com a pureza de Francisco. João, o exercício de humildade autêntica, e Pedro é o homem mais humano que esteve ao lado de Jesus, cheio de falhas e medos em oposição às também presentes virtudes e coragem.
Tudo isso diz muito das formas de expressão brasileiras, dos modos de criar, fazer e viver de um povo que tem medos e falhas, coragem e virtudes. Capaz de ter pessoas em seu território que não sabem ler e nem escrever, mas têm um intelectual que recebeu o Prêmio Templeton, chamado de "Nobel da Espiritualidade", ladeado por dalai-lama e Madre Tereza de Calcutá.
Esse é um povo com uma amplitude cultural, existindo de uma forma tal que proporciona muitos motivos para, em junho, alegrar-se. 


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