Em 15 dias, três manifestações tomaram ruas, avenidas e praças do país. Duas de estudantes e professores que protestaram contra o contingenciamento de verbas do Ministério da Educação. A outra, a favor das reformas, sobretudo a previdenciária, propostas pelo presidente da República.
Todas pacíficas e civilizadas, prova do amadurecimento da população – mais educada, graças ao acesso à escola, e mais politizada, consequência, em parte, da popularização das mídias sociais. Embora não necessariamente comprometida com o debate de ideias, a livre troca de mensagens contribui para chamar a atenção para os rumos da sociedade.
O que se viu na leva de brasileiros que se concentraram na defesa de uma causa é um povo vivo, atuante e atento. Classificá-lo de massa de manobra constitui miopia de quem, incapaz de fazer a leitura correta da mobilização, perde a oportunidade de dar a resposta adequada, que conduza a avanços, não a confrontos.
Jair Bolsonaro parece ter entendido o recado das ruas. Para atender as reivindicações, impunha-se ir além na pauta das reformas. Procurou os presidentes da Câmara e do Senado para firmar um pacto que deixasse as irrelevâncias em segundo plano e se fixasse no essencial. No caso, a aprovação das reformas.A política se resolve com política.
O ministro da Educação escolheu o caminho inverso ao percorrido pelo presidente. Partiu para a guerra. Atacou os professores, acusando-os de coagir os alunos a participar do movimento e – pior – convocar os pais a apresentar provas contra os docentes.
O século 21 não tem lugar para escolas do século 19 com professores do século 20 e alunos do século 21.Em vez da reação, Weintraub tem de dar a vez para a proposição. Deve convocar todas as forças para pôr a educação no topo da agenda. A qualidade é a meta.