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Medicina fetal: a importância da conscientização dos pais


postado em 21/05/2019 04:10



Cada vez mais os casais que desejam ter um filho, ou mesmo esperam pelo nascimento de um bebê, ficam ansiosos e curiosos a respeito de questões da saúde reprodutiva, anomalias do feto, avanços da área de medicina fetal e, também, da perspectiva do feto como paciente.

Durante séculos, os cuidados com os seres humanos estavam restritos às medidas paliativas e curativas em fase da vida após o nascimento. Mais recentemente, esses cuidados passaram a ser preventivos e o conceito de gerenciamento de riscos passou a ser aplicado como uma maneira de se evitar doenças.

Com o desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia, esse cuidado preventivo, propedêutico e terapêutico se estendeu para fases da vida humana antes do nascimento e até mesmo antes da concepção.  Assim, o feto passou a ser tratado como um indivíduo, com direito à vida, a cuidados e respeito. Nesse sentido, desenvolveu-se, então, a ciência destinada à compreensão do desenvolvimento humano desde a sua origem, a partir da genética, da embriologia e fisiologia fetal, do desenvolvimento físico e emocional do bebê, do seu adoecimento, da prevenção e cura de doenças intraútero, no tratamento da dor e sofrimento fetal, que é a “medicina fetal”.

Dentro dessa realidade, o principal desafio é o diagnóstico precoce. Ele é fundamental para a solução de muitos problemas e o grande entrave é a baixa qualidade dos exames realizados. Outro importante desafio é a universalização desse entendimento entre médicos e pacientes. O ponto central é a necessidade de se universalizar o atendimento, permitindo que um maior número de bebês tenha acesso ao diagnóstico precoce de qualidade e à possibilidade de tratamento. É desafio, também, permitir que bebês e pais, mesmo em situações onde a vida ou a saúde dos fetos não possam ser garantidos, tenham acesso à compreensão plena desse processo e que possam ser acolhidos com dignidade e respeito.

A medicina fetal, na maioria das vezes, ajudará os bebês a saírem de condições onde não há, em várias situações, nenhuma perspectiva de vida, para uma pequena chance de sobreviver ou de minimizar alguma sequela. Muitas vezes, os pais se apegam a essas chances e cada vez mais temos tido avanços nos resultados. Nesse sentido, é importante que os pais tenham consciência de que a realização dos exames de ultrassom de rotina, na gravidez, são eventos médicos e não eventos recreativos.

É importante saberem que existe todo um raciocínio por traz da realização da ultrassonografia, visando detectar sinais, indícios de anomalias estruturais ou funcionais no desenvolvimento do bebê ou da placenta. Portanto, o diagnóstico de doenças no feto requer uma “busca ativa” pelo profissional que realiza o exame e o mesmo deve ser dotado de uma bagagem teórica e prática muito profunda e sólida. Sendo assim, os pais devem pesquisar os profissionais ou serviços que conduzirão às suas gestações. Eles deverão discutir com seus médicos pré-natalistas quem serão seus ultrassonografistas e fetólogos de referência. Devem pesquisar suas habilitações junto ao CRM e dar preferência a profissionais que tenham habilitação e expertise na avaliação da saúde do feto.

A avaliação da formação e do desenvolvimento fetal é um evento contínuo. Isso significa que o bebê deverá ser avaliado, criticamente, em vários momentos do seu desenvolvimento porque sua estruturação física e comportamental está em constante processo de transformação. A partir desse conhecimento é que surgirão oportunidades de tratamento, racionalização e individualização da assistência, criação de um processo logístico que poderá envolver o nascimento em maternidade especializada, equipes multiprofissionais, suporte psicológico para os familiares e o seguimento para reabilitação, reintegração à sociedade e engajamento por políticas assistenciais mais amplas, profundas e humanísticas.


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