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O triste índice de leitura

O número de livros lidos, pelo menos em parte, subiu míseros 0,26%


postado em 05/05/2019 05:06

No folclore do Nepal, se não há, deveria haver um ditado popular que diria: "Só se escala o Everest aos bocadinhos". Tentemos, então, refrear nossa ansiedade de melhorar do dia para a noite o lastimável estado do nível educacional brasileiro e aceitemos que metas ousadas como chegar ao cume da montanha mais alta do mundo só se atingem passo a passo, aula a aula, leitura a leitura, criança a criança.

Não podemos desanimar em nossa jornada, pois, ao contrário da escalada do Everest, quanto mais se sobe a montanha da educação, mais oxigênio de desenvolvimento e felicidade nosso país encontra para alimentar os pulmões de nossos habitantes.

Para avaliar nossa caminhada, uma das mais sólidas informações que temos é o último relatório da pesquisa Ibope Retratos da Leitura no Brasil. Examinando-o, os primeiros dados nos enchem de esperança! De 2002 a 2015, o analfabetismo caiu 43%, o número de formados no ensino médio subiu 74% e os diplomados no ensino superior aumentaram em 43%. No entanto, o número de livros lidos, pelo menos em parte, subiu míseros 0,26%.

A pesquisa considera como "leitora" aquela pessoa que tenha lido pelo menos parte de um livro nos últimos três meses, e revela que, entre as que alegam ser alfabetizadas, 56% declaram-se "leitores". Em 2002, segundo a pesquisa, esses "leitores" declaravam ler (pelo menos em parte), em média, 4,7 livros por ano, e, em 2015, essa média teria subido para 4,96 livros (o triste crescimento relatado de apenas 0,26%).

Entre as razões apontadas por quase metade daqueles que dizem saber ler para se declarar não leitores está a falta de tempo. Ora, vamos e venhamos! "Falta de tempo", "falta de paciência", "cansaço" e "falta de gosto". Tudo isso não passa de sinônimo de "ter dificuldade para ler". Muita gente alega "não ter tempo para ler", quando 73% dos brasileiros, na mesma pesquisa, informam que assistem à TV em seu tempo livre.

Na verdade, a única razão para a não leitura se explica pela triste conclusão apresentada por uma pesquisa anterior: de cada quatro brasileiros que dizem saber ler, apenas um compreende bem um pequeno texto, sabe escrever pelo menos um bilhete e é capaz de realizar operações simples de aritmética. Os outros três, infelizmente, são o que se chama "analfabetos funcionais".

A grande verdade do subdesenvolvimento brasileiro é apenas esta: nossa triste história da educação. Aqui, a escola só surgiu tardiamente e para acolher somente a elite. Até meados do século 20, não havia vagas nas escolas fundamentais para bem mais da metade da nossa população.

Assim, somente há pouco mais de três décadas estamos experimentando viver numa democracia e já conseguimos criar vagas nas escolas para a totalidade de nossas crianças. Está bem, a qualidade de nossas escolas ainda não é de dar inveja a ninguém, mas milagres como sair de mais de 400 anos de desprezo educacional e erigir o alto edifício do ensino é um milagre que demora mais um pouquinho...

 

 


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