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Bolsonaro em Israel


postado em 28/04/2019 05:06

O nosso presidente é um homem honesto e franco. Sem dúvida, quer fazer o melhor pelo Brasil, embora até o momento não tenha apresentado ao país planejamento para seu quadriênio no poder. Três de seus ministros são excelentes. O da Economia, o da Previdência e o da Infraestrutura, que está avançando rápido nas privatizações.

Causou-me profundo mal-estar, porém, as falas do presidente a respeito de temas políticos e históricos. O seu ministro do Exterior, o "estranho", segundo seus colegas, deveria orientá-lo, mas é um desvairado.

Isso vem a propósito das chacotas que o presidente do Brasil recebeu em sua recente viagem a Israel e que repercutiu lá intensamente e, espero, menos noutros lugares do Oriente Médio e Europa, sobre ser o nazismo um movimento comunista.

Colhe-se do texto de Cristiano Dias e Célia Froufe, presentes em Jerusalém: "No Museu do Holocausto, o presidente Jair Bolsonaro insistiu em dizer que o nazismo é de esquerda, uma tese encampada por seu chanceler, Ernesto Araújo... Não há dúvida. Partido Socialista.... Como é que é? Partido Nacional Socialista da Alemanha, respondeu o presidente, questionado se concordava com seu ministro."

No salão ao lado, minutos depois, o chanceler brasileiro voltou a defender sua tese. "Nesses últimos dias, têm surgido várias publicações e artigos que procuram identificar isso, estudar sob a perspectiva que eu procurei apontar de ver semelhanças entre movimentos nazistas da Europa da metade do século 20 e movimentos de extrema-esquerda", disse Araújo.

Historiadores israelenses consultados ficaram surpresos com as declarações de Bolsonaro e de seu chanceler. O próprio museu, em seu site, afirma que o partido nazista era um entre vários "grupos radicais de direita" na Alemanha.

Uzi Rabi, diretor do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel-Aviv, demorou para entender. "Eu nunca ouvi isso antes. Não sei do que eles estão falando."

O brasileiro Avraham Milgram, que vive em Israel e foi pesquisador do Museu do Holocausto, também estranhou, mas atribuiu a discussão à política brasileira. "Essa teoria não tem base histórica nenhuma. Acho que tem mais a ver com o presente do que com o passado. Para os nazistas, a ideia de raça era muito mais forte do que a política."

O vice-presidente Hamilton Mourão sinalizou divergência. "De esquerda é o comunismo. Não resta a menor dúvida", disse. Diante de novos questionamentos, Mourão afirmou que nazismo e o comunismo estão em lados opostos: "Critico esquerda e direita. Acho que esquerda é quando o Estado intervém mais na vida das pessoas, diferente de ser autoritário, isso é ser esquerda. E direita é você dar mais liberdade aos empreendedores, ter mais liberdade para poder estabelecer seus negócios, propriedade privada. Isso é o que eu acho de direita e de esquerda. Nazismo e comunismo são duas faces de uma moeda só, o totalitarismo." Menos mal!

O versículo de João 8:32 foi citado pelo menos três vezes por Bolsonaro durante a viagem a Israel. Ele já havia se referido à passagem em discurso improvisado no Museu do Holocausto. Esse versículo é o seu bordão favorito. Serve em qualquer situação...

"Ao voltar à Terra Santa, deixo duas mensagens". João 8:32, "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". E a outra, é uma frase minha", disse Bolsonaro. "Aquele que esquece o seu passado está condenado a não ter futuro", uma variação emprestada do original do ensaísta espanhol Santayana: "Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo".

Duas aberrações. A primeira é que, como dizem os franceses, "há a coisa e há o nome". O partido de Hitler, por trazer no nome a palavra "socialista", não o transforma em socialista. Os mais perseguidos e mortos pelos nazistas foram justamente os judeus e os comunistas alemães e dos países invadidos. O nosso presidente valeu-se do "nominalismo" para se justificar.

Quanto ao estranho ministro das Relações Exteriores, a justificação foi pior. Utilizou-se do argumento de "terceiras pessoas" e "outros estudos". Pois bem, não existem estudos em nenhum lugar do mundo propondo que o nazismo e o fascismo sejam movimentos de esquerda, pelo contrário.

É o regime da propriedade que diferencia o capitalismo do socialismo. No primeiro, os meios de produção são de propriedade privada. No segundo, os meios de produção são do Estado, que pretende ser o representante das pessoas. Isso é elementar. O nazismo dizimou judeus e comunistas, embora vencido pela Rússia a Leste.

Para culminar na terra do Deus único Javé, nosso presidente, fiel ao catolicismo do Deus Trino (Pai, Filho e Espírito Santo), deu de citar o seu bordão de sempre, ou seja, a famosa frase de João: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Os judeus não reconhecem o Novo Testamento nem o evangelho de João. Seguem Javé e somente a Torá...


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