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Entre dores e descaso


postado em 26/04/2019 05:06





O cotidiano do brasileiro diagnosticado com algumas das 150 doenças reumáticas é desafiador. Geralmente, o tratamento dessas doenças é feito com o uso de anti-inflamatórios e drogas sintéticas. Entretanto, em mais de um terço dos casos, os portadores das doenças não respondem aos medicamentos tradicionais e, por isso, necessitam de drogas mais potentes, denominadas imunobiológicas, pois as dores se somam à luta para garantir acesso gratuito a remédios de alto custo. A demora se deve às diretrizes sobre a dispensação de medicamentos especializados, consideradas burocráticas, falhas e ultrapassadas.

A medicação distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o que existe de mais moderno para o tratamento reumático, mas o problema está na demora do repasse aos centros de referência em Minas Gerais. As pessoas  esperam mais de cinco meses, quando deveriam esperar, no máximo, um. O cidadão comum paga pela ineficácia financeira e administrativa dos gestores. O problema não é exclusividade de Minas Gerais, e a situação se repete em vários estados, como Rio Grande do Sul, Pernambuco e Espírito Santo.

No caso da artrite reumatoide, por exemplo, uma doença inflamatória crônica que afeta várias articulações com dores, o quadro piora sem o remédio especializado. O descontrole tira a capacidade laboral do indivíduo, sobrecarregando o sistema previdenciário, significativamente. A judicialização e pedidos de perícia se amontoam e revelam a fragilidade dos pilares da saúde pública.

Os portadores de doenças reumáticas agonizam, principalmente, porque o problema não se limita a conseguir medicamentos. Começa antes, na descoberta. Para se ter uma ideia, em Minas Gerais, as pessoas demoram cinco meses para ser diagnosticadas com a doença na rede privada, enquanto, na rede pública, a espera ultrapassa três anos. Não é preciso ser médico para constatar os prejuízos de tanta peleja e peregrinação. É sofrimento que não se mede. Às vezes, modificações na rotina, prática de atividades físicas, fisioterapia e hábitos saudáveis não são suficientes. Por isso, a intervenção das drogas modificadoras do curso da doença é substancial.

Na tentativa de dar fôlego a quem depende de medicamentos caros (R$ 5.000, mais ou menos), no mês passado, lideranças ligadas ao tema se reuniram na Superintendência de Assistência Farmacêutica – Subsecretaria de Políticas e Ações de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) para discutir importantes questões sobre a dispensação de medicamentos de alto custo aos portadores de doenças reumáticas. A reunião teve a participação da diretora da Divisão de Medicamentos de Alto Custo, Ana Luisa Caires de Souza Mendonça; a coordenadora da Comissão de Farmácia e Terapêutica, Samira do Nascimento Mateus Nunes Lyra; o representante da SMR junto à SES-MG, Gustavo Braga Hallais França; eu e a representante dos pacientes reumáticos e coordenadora da Associação dos Reumáticos de Uberlândia (Arur), Nilma Rodrigues de Oliveira. Algumas ideias foram alinhadas e, apesar da falta de previsão, esperamos que a situação em Minas melhore.

A reversão desse cenário preocupante requer ações envolvendo novos protocolos para tratar a doença; descentralização do sistema de distribuição; introdução de novas drogas no mercado e na relação nacional de medicamentos essenciais (Rename) e estímulo à produção nacional de determinados produtos. Contudo, a solução não para por aí. É importante pensar, também, na logística (digitalização de processos, por exemplo) e na infraestrutura adequadas. Como se percebe, a realidade não é animadora, mas a luta continua e é preciso seguir em frente.


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