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Estado de Minas

Os desafios no tratamento da endometriose

Pesquisa revela que 56 milhões de brasileiras não vão ao ginecologista


postado em 09/04/2019 05:06

A endometriose é uma doença ginecológica extremamente comum e 10% das mulheres podem ser acometidas pelo problema. Um dos desafios observados nos consultórios é o atraso no tratamento. Pesquisa de 2018 da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com o Datafolha, divulgada neste ano,  revela que 56 milhões de brasileiras não vão ao ginecologista. A situação reflete a dificuldade em se obter um diagnóstico precoce das doenças ginecológicas.

Sabe-se, por exemplo, que há um atraso para o diagnóstico da endometriose de pelo menos quatro anos na procura pela ajuda médica e mais quatro para procurar assistência. O diagnóstico é baseado em sintomas clínicos decorrentes do auxílio de métodos de imagem, tanto a ultrassonografia transvaginal com preparo e também a ressonância magnética em centros especializados.

A endometriose é o deslocamento e fixação do endométrio, tecido que reveste o interior uterino, em outros órgãos fora do útero. A doença afeta cerca de seis milhões de brasileiras e é uma das principais causas da infertilidade. Os principais sintomas são dor pélvica, constipação intestinal, menstruação excessiva e, principalmente, cólicas menstruais com altos níveis de dor. O problema provoca desconforto físico e afeta, diretamente a qualidade de vida. Por diversas vezes, elas têm que se ausentar dos compromissos rotineiros para cuidar da saúde ou ficar em casa de repouso, até os sintomas e crises abrandarem. Pesquisa com três mil mulheres, feita em parceria com o Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (Gapendi), revelou que 50% das participantes se ausentam do trabalho até três vezes por mês em função do problema.

As faltas mensais recorrentes, em muitos casos, resultam em demissão. A maioria das mulheres opta por escolher trabalhos com uma carga horária menor ou abrem mão de cuidar da saúde para evitar o risco do desemprego, vivendo uma situação conflitante. A primeira situação impacta diretamente na geração de renda com um salário menor. Já a falta de acompanhamento médico torna o tratamento mais complexo.

É de extrema importância falar sobre o tema, pois, embora afete grande parte da população feminina, muitas delas não conhecem a doença e acabam vivendo com os sintomas sem saber que devem procurar ajuda médica e tratamento. O diagnóstico é ponto fundamental para definir o tratamento e, eventualmente, o planejamento cirúrgico, ou seja, a definição da extensão da cirurgia.  A situação requer equipe treinada e multidisciplinar para uma cirurgia adequada.

Quais são os sinais de alerta para procurar assistência médica? As cólicas menstruais muito fortes, com aspecto negativo na qualidade de vida e necessidade de buscar atendimento levam ao pronto-atendimento, recebendo medicação venosa que interfere na rotina, dor durante a relação sexual e sintomas intestinais e urinários associados à menstruação. A cirurgia minimamente invasiva laparoscópica ou robótica tem um papel muito importante no tratamento e diagnóstico. Ainda não existe uma forma de prevenção, porém, quanto mais cedo se detecta o problema, mais rápido o tratamento adequado será iniciado e com maiores chances de sucesso.

 


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