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Estado de Minas

Supremo menor. O cubículo. A inveja


postado em 25/03/2019 05:06

O descrédito do Supremo Tribunal Federal (STF), provocado por decisões inusitadas e por declarações inconvenientes de alguns de seus ministros, afeta a estrutura institucional do país. Atinge a imagem daquela corte, repercute negativamente na opinião pública e fere o Judiciário, supostamente a base mais sólida da democracia, que se sustenta na tripartição dos poderes.


A decisão da maioria de seis a cinco dos integrantes daquele tribunal, com o voto de desempate do presidente Dias Toffoli, transferiu da Justiça comum para a Justiça Eleitoral(!), a competência para processar e julgar crimes do chamado "caixa 2", aquele praticado por políticos em busca de recursos não declarados para suas campanhas, ou para disfarçar doações desviadas quase sempre para seus próprios bolsos.


A repercussão foi negativa nos meios jurídicos, nas áreas político-partidárias mais conscientes, e revoltou a opinião pública. Todos perceberam o objetivo da mudança: ferir de morte a Lava-Jato do juiz, hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro. Condenados poderão recuperar a liberdade anulando seus julgamentos pela Justiça Federal, reabrindo-os nos tribunais eleitorais, não preparados para esse tipo de julgamento.


Encerrada a sessão do STF, a reação já estava nas redes sociais, no noticiário da imprensa, nas manifestações de rua. O protesto abrangeu outra estrepolia do mesmo Dias Toffoli. Logo depois dos seis a cinco, o presidente imprudente ampliou a revolta e o descrédito do Supremo, ao comunicar, sem consultar o plenário, a abertura de inquérito para apurar e punir ofensas feitas (não disse por quem) a ministros e a seus familiares. Ou seja, as vítimas, os ministros, julgando os que os ofenderam.


O estranho, no caso do caixa 2 e na abertura de inquérito interno, é o comportamento dos ministros que, acredita-se, não concordariam com a transferência inusitada e com o inquérito inédito na história da mais alta (era, pois apequenou-se) corte de Justiça do país. Um deles, Marco Aurélio de Mello, disse que teria votado contra, no caso do inquérito, se votação houvesse. Na realidade, ficaram todos calados, omissos, como se concordassem. Nenhuma voz de protesto, nenhuma declaração de divergência. Aceitaram, em silêncio, as barbaridades cometidas pela chamada "banda podre do STF", comandada por Toffoli.  O que nos faz lembrar de um mineiro, como não se faz mais, Pedro Aleixo, que em pleno regime militar votou solitariamente contra o AI-5.

O CUBÍCULO

O prédio é imponente. Construído sem preocupação de economia. Tudo, material, instalações, equipamentos, acabamentos da melhor e mais cara qualidade. Afinal, abrigaria uma das empresas mais ricas da nossa não mais tão rica Minas Gerais. A sede da Cemig, é dela que estamos falando, esbanja luxo e grandiosidade. Nos salões, nos corredores, no hall de entrada, nos gabinetes amplos e bem decorados dos seus diretores, os mais bem remunerados do estado, quiçá do Brasil, nas salas de seus superintendentes, gerentes, assessores, chefes de serviço. Merecidamente. Afinal, eles trabalham em uma  empresa  que tanto tem feito pelo desenvolvimento do nosso estado e do país. Que é respeitada e bem cotada em todas as bolsas de valores, até do ultramar. Um orgulho para todos nós.


O introito longo e ufanista se justifica para realçar o lado de chumbo da moeda de ouro. Como é possível, em um ambiente requintado, destinar um cubículo desconfortável  para atender exatamente àqueles que, com as contas de luz que pagam, ajudaram a construir e sustentar aquilo tudo? O cubículo, um espaço mínimo dentro de um  hall imenso na entrada da Avenida Barbacena, destoa e agride a beleza e o conforto do palácio arquitetônico. É usado desde os tempos petistas no governo. Mas a sua permanência, reclamam os usuários, não se coaduna com as promessas de melhorias e mudanças anunciadas pelos novos governantes.


A nova diretoria, agora comandada por Cledorvino Belini, um respeitado e vitorioso empresário que fez história na presidência da Fiat, certamente não concordará com o desrespeito com que são tratados os consumidores da energia gerada pela estatal. Basta uma visita ao local para constatar a veracidade do que divulgo a pedido de um consumidor, Felipe Mirandola, que juntou fotos comprovadoras. No pequeno espaço do hall, ficam amontoadas 30, 50 pessoas para pedir uma informação, fazer uma reclamação, acertar pagamentos, transferências, troca de aparelhos etc. Quase todos – homens, mulheres, idosos – em pé, ou acocorados no chão, pois cadeiras e bancos não chegam a duas dezenas, aguardando o número de sua senha aparecer na tela. Espera que consome mais de uma hora. Os atendentes, diz Felipe, apenas cinco, quando todos comparecem, não são funcionários, mas terceirizados. A culpa do desconforto, do atraso, não é deles, competentes, simpáticos, prestativos. E que são obrigados, quando a entrada é fechada, a levantar para abrir a porta para a saída do que foi atendido. Seria tão oneroso destacar um dos milhares de funcionários da bilionária empresa para servir de porteiro?


Os críticos contumazes e destituídos de respeito pelo cidadão comum poderão dizer que o assunto aqui levantado é pequeno, insignificante no rol dos problemas, dos abusos, das falhas e das carências herdado pelos atuais administradores do estado. Esquecem-se, certamente, de que é das pequenas coisas, das providências saneadoras de qualquer tamanho, que se constrói uma sociedade justa e correta. Os que por ali, o tal cubículo, já passaram e sofreraram, sabem do que estamos falando.

A ESPUMA

Para encerrar: a esquerda que domina os meios de comunicação espuma sua inveja contra o sucesso da missão cumprida pelo presidente Jair Bolsonaro no encontro com Trump, na Casa Branca. Alguém se surpreende?
 
PRISÃO
 
Já fechando meu espaco escrito semanal, vejo pela TV que mais um ex-presidente, Michel Temer, foi preso. O que amplia a desconfiança do mundo no nosso país. Mas tudo bem, que sejam  apurados os posíveis crimes que ele teria cometido. O que não entendo é aquele soldado com uma metralhadora na mão acompanhando o frágil, assustado e pacífico prisioneiro. Um exagero humilhante, sem dúvida.


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