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Estado de Minas

Tanto privilégio por quê?

Os eleitores que apostaram no novo e forçaram a renovação de deputados e senadores deveriam fazer um grande levante para cobrar dos eleitos que cumpram o que prometeram durante a campanha


postado em 04/03/2019 05:08

Durante as eleições de 2018, os brasileiros deram uma forte demonstração de que estavam cansados da forma tradicional de se fazer política no Brasil. Não por acaso, embarcaram pesado nas campanhas dos candidatos que se apresentavam como o novo. O discurso de muitos dos postulantes à Câmara Federal e ao Senado era o de que abriram mão de todas as regalias dadas pelo Congresso como forma de mostrar que uma nova era, de fato, começaria no país. A renovação entre os senadores chegou a 87% dos postos que ficaram vagos. Dos deputados, 47% foram eleitos pela primeira vez.

Foi preciso, porém, apenas um mês de mandato para ver que tudo não passava de uma grande enganação. Novos e velhos eleitos se deram as mãos e estão usufruindo de todos os privilégios que os cargos no Congresso lhes oferecem. Isso, a um custo elevadíssimo para os contribuintes. As regalias passam por apartamentos funcionais, auxílio-moradia, verbas para gabinetes, aposentadorias especiais, carro oficial, auxílio-mudança e o que mais for possível pensar. A fatura entregue pela Câmara e pelo Senado ao país passa de R$ 10 bilhões por ano. Isso é sustentável?

No que depender de suas excelências, sim. Para elas, o país não faz mais do que a obrigação ao sustentar mordomias que a maioria da população jamais pensaria em ter. O Brasil, como se sabe, vive a mais grave crise fiscal da história. As contas públicas estão no vermelho desde 2014 e, na melhor das hipóteses, só voltarão a ficar equilibradas em 2022. Para isso, no entanto, é preciso que o mesmo Congresso perdulário aprove a reforma da Previdência. Seria de bom tom que, ao mesmo tempo em que reduzem benefícios aos trabalhadores, deputados e senadores abram mão de parte de seus privilégios.

Como não se pode esperar nenhum gesto de grandeza do Legislativo, os eleitores que apostaram no novo e forçaram a renovação de deputados e senadores deveriam fazer um grande levante para cobrar dos eleitos que cumpram o que prometeram durante a campanha. Num passado recente, uma campanha dos Diários Associados resultou no fim do pagamento de 14º e 15º salários aos parlamentares. A aberração era tamanha que esses ganhos extras sequer eram tributados pela Receita Federal. A indignação com esses absurdos se espalhou pelo país e várias câmaras legislativas também cortaram tais benefícios.

Cobrar um Congresso mais enxuto não significa reduzir sua importância para a democracia. Muito pelo contrário. Ao darem demonstrações de que abrem mão de um sistema perdulário, deputados e senadores tendem a reforçar a imagem do Legislativo, que anda bastante desgastado justamente por estar distante da realidade da população. Quando mais os políticos forem respeitados, mais forte será o regime democrático. Um parlamento com grande apoio popular é um contraponto fundamental para barrar governos autoritários ou afeitos a aventuras.

O Brasil anseia por mudanças. E todos devem dar a sua cota de sacrifício para um bem maior, um país mais justo, com oportunidades para todos. A hora é essa. Afinal, #tantoprivilégioporquê?

 


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