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Estado de Minas

Irrelevante, barragens, corrupção


postado em 25/02/2019 05:03

O imbroglio que envolveu o presidente da República e um advogado quase desconhecido não mereceria o estardalhaço que provocou. O sr. Gustavo Bebianno, sem nenhum histórico na vida pública do país, como comentou o correto jornalista Merval Pereira, aproximou-se do então candidato a presidente oferecendo, de graça, seus serviços.  Infiltrou-se, habilmente, no grupo que sustentou Bolsonaro em sua campanha. Por isso, foi escolhido para presidir o PSL, partido do candidato, e este eleito, assumiu a Secretaria-Geral da Presidência.

Até aí, tudo bem. O desconhecido advogado ganhava notoriedade nos meios políticos como auxiliar de confiança do gabinete presidencial. Mas durou pouco. A Folha de S. Paulo apurou, e noticiou, com chamada de capa, uma maracutaia a ele atribuída. Uma candidata dita "laranja" do seu partido teria recebido, para custear sua campanha a deputada, milhares de reais da verba partidária e eleitoral do PSL.  Caso grave de corrupção laranjal: ela teve meia dúzia de votos, e a verba teria sido repassada, a maior parte, para uma tipografia de porta de garagem. Mutreta escancarada.

Acusado, Bebianno teria tentado envolver o presidente, dizendo que conversara com ele, a respeito, três vezes. O que era mentira, como afirmou e publicou Carlos Bolsonaro, filho do presidente, e como o próprio confirmou. Não houve a tal conversa. A mentira foi explorada, na mídia, de forma deplorável, pelos inimigos do governo. Não restou ao presidente outra decisão a não ser a demissão, anunciada de forma amena, com elogios e agradecimentos, como é de praxe, do auxiliar acusado de mentiroso. Mentiroso e traidor, segundo Carlos, que teria comprovado terem partido dele vazamentos para a imprensa de conversas entre os membros do novo governo. E traidor reincidente, pois ele - nem poderia ser outro, pois o outro era o presidente – seria o responsável pela entrega, à revista Veja, de vídeos contendo diálogos eletrônicos seus com o "capitão", como ele se referia a Bolsonaro antes da posse. Vídeos gravados há  mais tempo, sem nenhuma relação com o tal caso da "laranja" e das supostas "três conversas". Mais grave: vazamentos proibidos e puníveis para quem vazou e para quem publicou, por quebra de privacidade.

Órfãos do petismo e esquerdismo insistem em manter o assunto na ordem do dia, como se percebeu naquele programa televisivo das 22h. Um dos participantes da chamada "bancada de comentaristas", o já citado Merval Pereira, o primeiro a falar, ressaltou a irrelevância do episódio, gerando "uma crise política completamente desnecessária e injustificável. Estão jogando conversa fora, quando temos problemas bem mais sérios e urgentes", se bem me recordo de suas palavras. Os outros integrantes da "bancada", que conta com duas jornalistas, insistiram em caracterizar o episódio como muito grave, capaz, até mesmo, acentuaram, de repercutir na votação das reformas encaminhadas ao Congresso, a da Previdência e o pacote anticrime proposto pelo ministro Sérgio Moro, da Justiça.

Nada disso tem sentido. O caso é tão desimportante que já está desaparecendo do noticiário isento e responsável. O resumo é simples: o titular da Secretaria-Geral  tantas fez que perdeu a confiança de quem o nomeou. Foi demitido por isso. Nomear e demitir são prerrogativas do presidente da República. O resto, repetindo Merval, é irrelevante, não passa de fofocas, de conversa fiada. E fim de papo.

BARRAGENS

A tragédia provocada pela Vale e por outras mineradoras, não sai, nem deve sair, ao contrário do tema abordado aí em cima, do noticiário. A dor, os prejuízos, que causou não permitem que tudo  seja esquecido. Na semana passada, novos e graves problemas surgiram para os que têm a infelicidade de morar perto dos depósitos de rejeitos. Em São Sebastião das Águas Claras (Macacos), Nova Lima, 215 pessoas foram retiradas de suas casas para escapar de possível rompimento de barragem. Em Barão de Cocais, 492 pessoas em Itatiaiuçu, 166. No fim da semana:  Brumadinho, 138; Vila do Peixe, Nova Lima, 100; Ouro Preto 25. Todas pelo mesmo motivo.  E a BR-356 foi fechada, impedindo o trânsito entre Itabirito e Ouro Preto. Quanto sofrimento e pânico!

Não seria melhor, mais lógico, mandar a Vale encerrar suas atividades naquelas regiões? Dizem que a paralisação prejudicaria o desenvolvimento do estado. Será que Minas Gerais, e os mineiros, que somos, não teríamos competência para criar novas fontes de trabalho, de atividade, de enriquecimento? Tantos estados sobrevivem sem ter suas montanhas derrubadas impunemente por empresários que só pensam em destruir a natureza e enriquecer com o que dela possam roubar.

CORRUPÇÃO

Dizem que é decorrência dos novos tempos pós-lava-jatos. O certo é que muitos delitos, especialmente os de corrupção, envolvendo os chamados poderosos do colarinho branco, passaram a ser investigados, com  suspeitos presos e muitos deles condenados. O que é salutar, pois provoca mais respeito às leis e mais temor de punição, ou seja, prisão. Quem poderia pensar, há alguns anos, que um presidente da Confederação Nacional da Indústria, a poderosa CNI, seria preso por suspeita de corrupção? Foi o que aconteceu com o sr. Robson Braga de Andrade, industrial, mineiro de São João del-Rei, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), ex-diretor regional do Sesi-MG, em 2002, quando o desvio teria começado. Ele foi preso, com mais 10 executivos de federações de Indústria, pela Polícia Federal, na chamada Operação Fantoche, por envolvimento em contratos fraudulentos de desvio de recursos do Serviço Social da Indústria (Sesi), que geraram repasses indevidos de R$ 400 milhões! Foi preso, prestou depoimento, passou o dia na cadeia e foi solto à noite, por decisão judicial.


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