Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Espaço do leitor


postado em 30/01/2019 05:02

TRAGÉDIA
Barragem que se rompeu
não estava ameaçada

Silvio Natal
São Paulo

"Até dezembro de 2017, o Brasil tinha cerca de 24 mil barragens cadastradas, das quais apenas 58% estavam regularizadas ou tinham algum tipo de autorização. Segundo dados do Relatório de Segurança de Barragens de 2017, a Agência Nacional de Mineração (ANM), responsável pela fiscalização de 790 barragens de rejeito no país, realizou, naquele ano, apenas 211 vistorias, em 27% das instalações, o que indica que 73% das barragens não tiveram qualquer fiscalização. Tudo faz crer que a exploração mineral no país, que se ufana, nos foros internacionais, de liderar a preservação do meio ambiente, é feita sem os cuidados mínimos. Tanto que a barragem que vazou, em Brumadinho, não estava sequer entre as consideradas ameaçadas por algum sinistro. O que suscita, evidentemente, indagações sobre as que estão reconhecidamente sob risco. Segundo os especialistas, o sistema de barragem 'a montante' é o mais utilizado por ser o mais barato, mas, também, é o de maior risco. Para variar, o que se vê é a lógica do lucro a qualquer custo sobrepondo-se ao cuidado mínimo que se deve ter com o meio ambiente e com as pessoas envolvidas no trabalho de mineração e comunidades próximas. Será que, desta vez, após o drama humano e material dessa nova 'tragédia anunciada', nossas autoridades
irão acordar?"

DESABAFO
Assinante se revolta
com acidente em MG

Fábio Moreira da Silva
Belo Horizonte

"Que lama é essa que acabou com um município inteiro, vitimando gente, rios e ainda anda arrastando tudo que encontra? Lama que vai muito além da mistura simples de terra e água, diferente daquela naturalmente formada da chuva ou de um simples molhar. Lama que vai muito além da sordidez, da miséria e do lodo. Lama de descaso e incúria, composta de dejetos da ganância e ambição, que, com pretexto de crescimento econômico, compõem um cenário devastador. Que lama é essa? Se todo bem material que é produzido vem da natureza, esse meio ambiente não mereceria respeito? O Rio Paraopeba e toda a sua biodiversidade, um afluente do Velho Chico, jamais será o mesmo. Tudo acabou. Só sobraram a tristeza e a consternação de uma terra simplesmente arrasada. Famílias inteiras devastadas pela exploração e a indiferença. Sobra indignação. Sobra lama."


INDIGNAÇÃO
Leitor faz retrato
da região das minas

Tarcísio P. Ferreira
Belo Horizonte

"Os municípios mineiros onde ocorre exploração de minério de ferro e outros minerais recebem royalties das mineradoras. Brumadinho, segundo as notícias, recebeu, em 2018, cerca de R$ 37,476 milhões. E eu pergunto: esse valor vai dar para compensar as vidas humanas perdidas?. Os sonhos desfeitos? A fauna e a flora destruídas? Em outras palavras, o enorme crime ambiental? Alguém muito lúcido teria afirmado que 'minério de ferro não dá duas safras'! Essas comunidades que hoje arrecadam a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) vão penar quando as jazidas se esgotarem e as mineradoras, simplesmente, forem devastar outras plagas. Recentemente, retornei de helicóptero do Rio de Janeiro, sobrevoando a região desse desastre ecológico de ontem. A paisagem é entristecedora. Crateras de enorme profundidade, volteadas por espécie de estradas em espiral, e paisagem aparentemente desértica nas imediações. E as crateras se sucedem. Ao que me consta, exportamos o minério bruto ou semiprocessado a preços de banana para as nações mais ricas e desenvolvidas e, depois, o importamos manufaturado com preços estabelecidos pelos contingenciamentos negativos impostos pelos cartéis e oligopólios. Até quando seremos espoliados? Até quando as barragens vão se romper e ficaremos sob a ameaça de doenças, miséria, mortes e falta d'água? Que me respondam os entendidos!"


Publicidade