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Que calor! A culpa é sua, é nossa


postado em 21/01/2019 05:06

Que calor! É o que mais se ouve desde dezembro. E os termômetros não param de subir, deixando a população de Belo Horizonte sufocada, com a garganta seca, com o suor escorrendo pelo rosto, pelo corpo, molhando camisas, vestidos, um horror.

Antes, no século 20, que acabou ontem, não era assim, reclamam os saudosistas. E não era mesmo. Belo Horizonte, até os anos 50, 60, era chamada de "sanatório do Brasil" pelo seu clima ameno, pelo ar leve, oxigenado, ideal para tratamento dos que sofriam de doenças pulmonares, de tuberculose, naqueles tempos em que os cientistas ainda não haviam decoberto o poder de cura das penicilinas e antibióticos milagrosos. Nos bairros mais altos da cidade, a Serra especialmente, os sanatórios e pensões especializadas no atendimento eram instalados com sucesso, quase sempre lotados por enfermos vindos de todo o Brasil. E que aqui encontravam a cura com os remédios da época e a colaboração do ar puro das montanhas.

Aquele clima ameno acabou, a tuberculose não é mais doença mortal, pois tratada com os novos medicamentos, os sanatórios fecharam suas portas, as pensões cuja proximidade atemorizava os que não queriam arriscar-se a contágios já não existem mais. No entanto, o calor, a secura do ar, a falta de oxigênio na atmosfera, a ausência da brisa refrescante que vinha lá do alto das montanhas do Sul/Sudoeste da cidade então privilegiada, espantam e afugentam o habitante e o forasteiro.

Como está acontecendo agora, como se repete não apenas no verão, mas o ano todo, exceto no inverno. De quem á a culpa de tudo isso? Da natureza, do esquentamento global?

Não, senhores do conselho ambiental. A culpa é minha, é sua, é de todos nós, que não protestamos, que não impedimos a derrubada das matas nativas que nos cercavam, pelos invasores e madeireiros insensíveis e mercenários. Que não protestamos contra a urbanização descontrolada, contra a ocupação indiscriminada das faldas de nossas montanhas por edificações sem limites de localização, de espaços, de altura. E também contra o redesenho do perfil montanhoso da Serra do Curral, por mineradoras criminosas que só entendem o dialeto do metal sonante.

Os paredões de concreto que sobem e escalam as montanhas estão ali porque nós deixamos, sem nenhum protesto. Foram erguidos por construtoras insensíveis, devidamente autorizadas por burocratas municipais alienados ou coniventes. Espigões que obstruem a visão bonita que tínhamos da Serra do Curral, que impedem a chegada da brisa, leve, às vezes gelada, que ela nos propiciava. Espigões que se espalham por todos os bairros, por toda a cidade. Monstrengos de 20, 30 pavimentos, que escondem, dos vizinhos, o sol fraco do inverno e impedem, no verão, a chegada da ventilação refrescante das madrugadas. Espigões que ficariam melhor localizados, como acontece no mundo todo, em áreas razoavelmente distantes dos bairros residenciais.

A culpa, assim, é de nós todos, que deixamos acontecer a irracional e exagerada expansão imobiliária e mineradora, não protestamos contra prefeitos e administradores alienados, incompetentes e coniventes, nem buscamos socorro na improvável atuação dos nossos representantes na Câmara Municipal. Nos omitimos do nosso dever de cidadãos para, agora, culpar o Sol, a natureza, o clima, os mais inocentes em todo a história.

Mas tem mais: o prefeito Crivella, do Rio, sancionou lei votada pela Câmara Municipal carioca que, imaginem, libera a construção de apartamentos de 25m2. Espaço onde cabem, apertados,  um quarto e um WC mínimos, uma saleta-cozinha, um forninho e uma geladeirazinha. Já batizei de pombais nossos prédios de apartamentos, caixotes empilhados uns sobre os outros. A moda dos pombais de Crivella contaminará, certamente, toda a arquitetura das grandes e pequenas cidades brasileiras, pois dá bom lucro para as construtoras. Os pombos estarão em boa companhia. Boa?    

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Deixem Bolsonaro e sua equipe em paz, senhores órfãos do petismo derrotado, desmoralizado, gradeado. Vamos, os bem-intencionados, torcer e ajudar os novos governantes para que cumpram o que prometeram, em benefício do país. Logo, de todos nós. Equívocos, acaso cometidos, já assinalei, são normais e inevitáveis nos primeiros dias de qualquer gestão, como aqueles que estão sendo explorados pelos inconformados e pela mídia contaminada. Disse, mais de uma vez, que o presidente, pela boa vontade em conversar, mesmo com jornalistas que dele não gostam, estaria exagerando em conceder entrevistas, em dar declarações a todo momento. Ninguém acerta sempre. Quem muito fala... Minha advertência, que pretensão, foi atendida. Um porta-voz foi designado para fazer declarações em nome do governo. Melhor assim.

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Mais uma vez se confirma aquilo que muitos acusam a nós, mineiros: nossa resistência, digamos assim, em elogiar os que aqui nasceram e fazem sucesso. Otto Vicente Perrone, mineiro de Guarani, talento nacional na área de engenharia química industrial, morreu aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Jornais do Rio e de São Paulo deram a notícia. De Minas, até o momento em que escrevo, nenhum. Formado em engenharia química, em 1951, como um dos melhores alunos da Universidade do Brasil, hoje UFRJ, exerceu cargos de chefia na Petrobras, na Copene, foi um dos responsáveis pela implementação do Polo Petroquímico de Camaçari, atraiu empresas estrangeiras para atuarem no nosso país, batalhou pela formação de joint-ventures na área da petroquímica. Um grande cientista mineiro, nascido na então pequena Guarani, na Zona da Mata. Não se pode esquecê-lo, devemos homenageá-lo.


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