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Estado de Minas

Perspectivas

Tudo é questão de perspectiva. Por isso, por favor, menos reclamações


postado em 13/01/2019 05:06

5, 4, 3, 2, 1. Feliz ano novo! Gritam à meia-noite. Ouvem-se onomatopeias: booom! Tum! Smack! Booom! Tum! Smack! Foguetes, garrafas de espumante, luzes coloridas, beijos apaixonados. Cada coração, um pedido simbólico para a virada: dinheiro, saúde, paz, amor, marido (ou esposa). E a certeza de que tudo será diferente quando o relógio marcar 0h01.

O primeiro dia de janeiro é para curtir a ressaca. Em seguida, com a chegada do quinto dia útil, iniciam-se também as “novidades” do ano: impostos, chuvas, calor, trânsito caótico nas estradas, matrículas e materiais escolares e uma porção de et ceteras. Assim, aparece a velha conhecida de todas as idades: a reclamação. Mês a mês, ela é a companheira de quem acabou de ansiar por momentos antes nunca vividos.

Lista-se o calendário oficial dos reclamantes: em janeiro, reclama-se do calor e do IPVA; em fevereiro, resmungar que está sem grana para o carnaval e para o IPTU; maldizer das águas de março, que limpam qualquer resquício da festa “profana”, que já deixou saudade antes mesmo de o último bloquinho tocar no pós-carnaval; amaldiçoar o tamanho e o preço dos ovos de Páscoa em abril; ficar indignado com a empresa que não emendará o feriado do 1º de maio; em junho, suspirar e destilar inveja de quem tem namorado (a) e, no dia 12, detestar restaurantes lotados; o coitado do frio é odiado em julho e a chuva inunda as praias nordestinas; para quem não tem o privilégio do feriado em 15 de agosto, o mês é tão agourento que nem passa depressa; setembro é a velha história da falta de dinheiro e da emenda do feriado; as crianças reclamam que não ganham presentes desejados e os adultos choramingam que não são mais crianças, em outubro é assim; já novembro, o panetone está caro e vem com frutas cristalizadas; em dezembro sobra até para a uva-passa, que é condenada pelo sabor peculiar e antes do réveillon, a grande reclamação é que 2019 ainda não acabou.

Reclamar é mania, hábito, atitude doentia. Por isso, é preciso reclamar, no sentido de pedir com insistência algo que seja justo, exigir, ter necessidade de que seja diferente, que seja, realmente, novo. Reclamar a mudança. Antes que os trezentos e alguns dias passem voando e a mesma lenga-lenga ganhe força. Só mudar o pensamento já é suficiente.

Se estiver calor, plante e preserve árvores que fazem sombra. Se alguém paga imposto é porque tem carro, casa e, de alguma maneira, trabalho. Agradeça por ter meios para quitar as obrigações. Porém, aqui existe um motivo que é válido reclamar: o imposto deve ser investido em segurança, transporte, saneamento básico, saúde pública, educação. Reclame com os políticos se as verbas forem desviadas. Se existe feriado para curtir, há dias para honrar o ganha-pão. Ovo de Páscoa só fica caro porque alguém compra. Evite se não concorda com o preço. Oferta sem demanda se transforma em valores condizentes. Chuva é para nutrir a terra que alimenta; nem sempre estar namorando é sinônimo de felicidade; uva-passa tem quem goste e não engorda.

Tudo é questão de perspectiva. Por isso, por favor, menos reclamações. Caso você tenha o dom de não reclamar, parabéns. Compartilhe alegrias para deixar o seu entorno mais leve. E, assim, ainda sugere-se uma tática: afaste-se de quem reclama. Não seja plateia desse palco. E tenha um feliz 2019.


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