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Os ganhos da inflação baixa

Olhando para a frente, o país tem uma oportunidade ímpar para crescer de forma sustentada


postado em 12/01/2019 05:04

Não há si­nal mais elo­quen­te de que a po­lí­ti­ca eco­nô­mi­ca es­tá no ca­mi­nho cer­to do que a in­fla­ção sob con­tro­le. So­bre­tu­do num país com o his­tó­ri­co do Bra­sil, em que a re­mar­ca­ção de­sen­frea­da dos pre­ços ator­men­tou a po­pu­la­ção por mais de duas dé­ca­das. Da­dos di­vul­ga­dos pe­lo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE) apon­tam que o Ín­di­ce de Pre­ços ao Con­su­mi­dor Am­plo (IP­CA) en­cer­rou 2018 em 3,75%, fi­can­do, pe­lo se­gun­do ano con­se­cu­ti­vo, abai­xo da me­ta per­se­gui­da pe­lo Ban­co Cen­tral.
Nem mes­mo as in­cer­te­zas pro­vo­ca­das pe­las elei­ções pre­si­den­ciais es­ti­mu­la­ram al­tas pre­ven­ti­vas no va­lor das mer­ca­do­rias. Em de­zem­bro úl­ti­mo, o IP­CA su­biu ape­nas 0,15%, o me­nor re­sul­ta­do pa­ra o mês des­de 1994, quan­do o país edi­tou o Pla­no Real e de­be­lou a hi­pe­rin­fla­ção. Na ava­lia­ção de es­pe­cia­lis­tas, es­se foi um si­nal im­por­tan­te de que o cus­to de vi­da se man­te­rá abai­xo da me­ta em 2019, re­du­zi­da pe­lo go­ver­no pa­ra 4,25%. As pro­je­ções se si­tuam em tor­no de 4,1%.
É im­por­tan­te, po­rém, res­sal­tar que a lu­ta con­tra a in­fla­ção é diá­ria. Não se po­de des­cui­dar de­la um mi­nu­to se­quer. Es­tri­pu­lias co­mo as que se vi­ram du­ran­te o go­ver­no de Dil­ma Rous­se­ff mos­tra­ram que o dra­gão es­tá sem­pre à es­prei­ta. Ao me­nor si­nal de va­ci­lo dos res­pon­sá­veis pe­la po­lí­ti­ca eco­nô­mi­ca, a ca­res­tia dá as ca­ras e o re­sul­ta­do to­dos já sa­bem: au­men­to de ju­ros e cres­ci­men­to me­nor da eco­no­mia. Pior: são sem­pre os mais po­bres os prin­ci­pais pre­ju­di­ca­dos.
Por­tan­to, é im­pe­ra­ti­vo que o go­ver­no re­cém-em­pos­sa­do man­te­nha a ri­gi­dez no com­ba­te à in­fla­ção. O pró­xi­mo pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral, Ro­ber­to Cam­pos Ne­to, ain­da de­pen­de da apro­va­ção do Se­na­do pa­ra to­mar pos­se, mas es­tá cien­te de que, com pre­ços des­con­tro­la­dos, não há po­lí­ti­ca eco­nô­mi­ca que dê cer­to. Nos úl­ti­mos anos, não há ne­nhum pre­si­den­te do BC que te­nha as­su­mi­do em con­di­ções tão fa­vo­rá­veis, con­ju­gan­do in­fla­ção abai­xo da me­ta e ju­ros no me­nor ní­vel da his­tó­ria.
Se se­guir à ris­ca a car­ti­lha do bom sen­so, o fu­tu­ro pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral po­de­rá se de­di­car a te­mas mais pre­men­tes, co­mo a re­du­ção dos en­car­gos co­bra­dos pe­los ban­cos de em­pre­sas e con­su­mi­do­res. Cré­di­to mais ba­ra­to sig­ni­fi­ca mais de­man­da pa­ra in­ves­ti­men­tos e pa­ra o con­su­mo, as duas prin­ci­pais ala­van­cas pa­ra que o cres­ci­men­to eco­nô­mi­co ga­nhe tra­ção. Não é pos­sí­vel que o Bra­sil con­ti­nue os­ten­tan­do as maio­res ta­xas de ju­ros pa­ra o cré­di­to do mun­do ci­vi­li­za­do.
Olhan­do pa­ra a fren­te, o país tem uma opor­tu­ni­da­de ím­par pa­ra cres­cer de for­ma sus­ten­ta­da. Com a in­fla­ção sob con­tro­le, o go­ver­no po­de­rá de­di­car to­das as ener­gias pa­ra a re­for­ma da Pre­vi­dên­cia e o ajus­te das con­tas pú­bli­cas. Se con­se­guir su­pe­rar es­sa eta­pa, é mui­to pro­vá­vel que o Ban­co Cen­tral man­te­nha a ta­xa de ju­ros (Se­lic) nos atuais 6,50% ao ano. A Se­lic só vol­ta­ria a su­bir em 2020, ain­da as­sim, pa­ra aco­mo­dar even­tuais al­tas de pre­ços. Uma no­tí­cia al­vis­sa­rei­ra.


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