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Estado de Minas

Primeira semana, primeiras críticas


postado em 07/01/2019 05:02

Começou a avaliação dos novos governantes do país e dos estados. Lógico que em apenas uma semana no comando de uma administração, qualquer que seja ela, não se pode julgar um administrador, condenar o que ele planeja ou já começou a fazer. É o caso de Jair Bolsonaro, na Presidência da República, e Romeu Zema, no governo de Minas. Mas a opinião pública e os políticos, os da oposição derrotada nas urnas e os que neles confiaram e votaram, são impacientes e vigilantes, sempre. E é bom que assim sejam.

Ministros do presidente, secretários do governador, foram escolhidos, empossados, começaram a trabalhar. Os primeiros atos foram publicados. Os primeiros entendimentos e acordos estão sendo firmados. Natural, assim, que sejam analisados, elogiados ou criticados, conforme os critérios de cada cabeça, de cada grupo partidário. É assim que funciona a democracia, é assim que ela deve e precisa funcionar. De outro jeito, seria ditadura.

A abertura maior, a maior transparência, foi da área bolsonarista. Sempre franco e direto, ele fala o que pensa fazer, o que já fazendo. Seus ministros agem do mesmo jeito. Nas entrevistas, nos discursos de posse. Transparentes em propósitos, nas metas que traçaram. Todos eles. Seria injusto não ressaltar Paulo Guedes, da Economia, um dos mais poderosos da equipe, o outro, todos sabem, é Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública. Guedes, de forma direta, transparente, didática (sempre foi excelente professor), desnudou a triste realidade brasileira, a sempre assim chamada “herança maldita” que nos legaram os últimos governantes. Foi muito aplaudido, o que significa inequívoca manifestação de apoio ao seu projeto, de salvação e recuperação da massa quase falida.

Não custa lembrar que o país só não faliu e entrou em liquidação total graças ao governo de Michel Temer, e a seu ministro Henrique Meirelles, sábio e poderoso. Governo que errou e acertou em muitas decisões tomadas, como é normal, mas que foi razoavelmente sóbrio e menos gastador do que os seus antecessores, embora tenha sancionado, já sem a presença austera de Meirelles, o absurdo reajuste salarial dos ministros do STF e, por tabela, de todo o Judiciário e Ministério Público. Deve-se incluir na listagem positiva da era Temer-Meirelles, além da queda da inflação, do crescimento do PIB, da queda do desemprego, as reformas que conseguiu emplacar, como a trabalhista, a do teto dos gastos etc.. E a tentativa válida, mas frustrada pelo ex-procurador-geral da República, com denúncias disparatadas feitas com este propósito, e pela Câmara Federal e seu presidente, Rodrigo Maia, da mais importante delas, a da Previdência.

Foi um desfile, na transmissão dos cargos, de bons discursos, de boas promessas, de bons programas. O mais polêmico talvez tenha sido o do novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pelas ousadas posições que adotou. Ousadas, podem dar certo ou errado. Daí o tom que parecia tenso, e apressado demais, com que leu o texto que preparou. Tensão transmitida, certamente, pelos seus colegas, e agora chefiados, diplomatas brasileiros presentes, nem todos, percebia-se, aprovando o novo projeto para o Itamaraty.

Quanto a Minas e ao seu novo governador, Romeu Zema, as perspectivas são boas, mas suas ideias, e as de seu secretariado, têm sido pouco divulgadas. Basta ver o pequeno espaço que o assunto ocupa nos jornais e nas TVs. Todos aprovaram quando ele falou que vai abrir a “caixa-preta” das finanças falidas do Estado. Mas não se sabe quando isso será possível, pois o petista ex-governador, segundo declarou Zema, guardou em segredo tudo o que se refere à sua administração. O que é lamentável e muito estranho.

Na avaliação geral, Bolsonaro e seus ministros e projetos estão muito bem cotados. Zema e seu secretariado, ainda com programas não totalmente divulgados, estão naquele estágio de confiança desconfiada. Mas não isentos de críticas, há sempre um grupo mais exigente. O que é saudável para o bem de todos. Zema é criticado quanto a algunss nomes que escolheu para o ajudar a governar, muitos oriundos de administrações anteriores. Por enquanto, apenas isso.

Já com Bolsonaro, um pouco mais grave, pois envolve o complicado processo de eleição do presidente da Câmara e do Senado, em fevereiro. Ele afirmou e reafirmou que se manteria neutro, mas os íntimos sabiam de suas preferências e de rejeições pessoais. No Senado, a ficha manchada de Renan Calheiros proporciona solução natural à disputa, com o seu impedimento, e a vitória de um senador isento. Na Câmara, é mais sério, pois dela, e daquele que a irá presidir, depende a aprovação das reformas pretendidas por Bolsonaro. Entre elas, a mais imprescindível, a que se não for aprovada poderá abalar toda a estrutura econômica e administrativa do país: a reforma da Previdência. O PSL, partido que elegeu o presidente, elegeu também a maior bancada daquela casa legislativa. Mesmo que com a adesão de outros mais, seus votos poderiam não garantir a aprovação desejada. Tido e havido como o mais ladino parlamentar, até os mineiros ficaram para trás, Maia, atual presidente da Câmara, agindo em silêncio, nos bastidores, com promessas óbvias aos que a ele se filiassem, conseguiu formar um expressivo bloco de colegas fiéis. Seria necessário, diziam os experts, conquistar o seu apoio para aprovar o projeto. Parece que foi conquistado. Não diretamente pelo presidente, mas por alguns ministros. A conversa, revivendo a velha política, foi a de sempre, a do “toma lá, dá cá”. Ou seja, você terá nossos votos para a presidência, mas vai votar e trabalhar pelas reformas. Um acordo pragmático, tido como necessário, mas que não constava do ideário do candidato vitorioso.

Que Bolsonaro tenha mais sorte do que Temer, que também fez o mesmo acordo, e não conseguiu a aprovação da mesma reforma.

 

 


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