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Comércio externo sem as ideologias

O fechamento mais aguçado para o comércio exterior durou cerca de 30 anos


postado em 28/12/2018 05:05

Mesmo sendo um dos países mais fechados do mundo quando o tema são as trocas comerciais entre as nações, o Brasil foi o que mais medidas adotou para abrir seu mercado aos produtos estrangeiros. Isso justamente quando proliferam iniciativas de cunho protecionista por todo o planeta, principalmente entre dois gigantes econômicos do globo, Estados Unidos e China. Incrementar o comércio internacional também se dá com a redução de barreiras para importações e exportações, caminho que deve ser seguido pelo governo que assume nos próximos dias a condução da economia nacional.

O Brasil tem de quebrar as amarras do isolamento comercial de forma segura e sem açodamentos, para não cometer erros que possam prejudicar a sua produção industrial. Mas tem de fazê-lo urgentemente, pois no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation o país encontra-se, em 2018, na posição de número 153 entre as 80 nações pesquisadas. Já no levantamento da Internacional Chamber of Commerce, está na posição 69 entre as 75 economias mundiais que concentram 90% de todo o comércio e investimentos internacionais.

O fechamento mais aguçado para o comércio exterior durou cerca de 30 anos, tendo atingido seu ápice na década de 1990, o que tirou oportunidades de ouro para o crescimento econômico, pois impediu o país de negociar acordos relevantes. Isso fez com que o Brasil se distanciasse de seus vizinhos mais abertos às trocas comerciais. Enquanto as exportações brasileiras, via acordos internacionais, representam 8% dos consumidores mundiais, esse percentual é de 83% para o Chile, 74% para o Peru e 57% para o México. Assim, a próxima equipe econômica tem o dever de substituir essa política comercial extremamente protecionista que afastou a nação das cadeias de valor globais.

Inquestionável que essa é uma das formas mais seguras de acelerar o crescimento econômico de longo prazo, meta sonhada por todos. O certo é que os países mais abertos às trocas comerciais internacionais são os mais ricos. Basta olhar para os dados levantados pelo Banco Mundial que mostram que impostos de importação reduzidos significam geração de riqueza: nos Estados Unidos, a média é de 1,67%, uma das mais baixas do mundo, e seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita é de US$ 59,5 mil; no Brasil, com uma das maiores taxas de importação do planeta, com média de 8,01%, o PIB per capita é de somente US$ 9,8 mil, seis vezes menor do que o americano.

Daí a necessidade de o país mudar a maneira como se relaciona com o mundo, ampliando negócios com nações que possam agregar valor econômico e tecnológico. Porém, sem negligenciar os mercados conquistados com muito trabalho e convencimento e que se tornaram estratégicos. O que não pode pautar a política comercial é o viés ideológico, que certamente foi o norte de governos passados e que não deve ser repetido pelos responsáveis pelas grandes decisões nacionais a partir de janeiro. Fundamental é saber que o comércio exterior não convive bem com questões de ordem ideológica.


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