Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

O governo formou sua equipe. E a sua?

Thomas Lanz Fundador da Thomas Lanz Consultores Associados, empresa especializada em governança corporativa, gestão de empresas médias e grandes no Brasil


postado em 21/12/2018 05:03

O país passou algumas semanas acompanhando com muita atenção a formação da equipe do novo governo federal. Na imprensa e nas rodas de conversa, os contraditórios animavam o tom da troca de ideias. Muitos interlocutores estavam satisfeitos com as escolhas. Outros, nem tanto. Na realidade, precisamos ver para crer o que vai acontecer com o novo governo. Se não der certo mesmo, é relativamente simples após um certo período de estresse e tensão trocar o ocupante do cargo. Após alguns dias da página virada – e um novo ocupante do cargo estar esquentando a cadeira –, ninguém mais falará sobre o assunto, até que uma nova dança das cadeiras ocorra. Simples assim.

Numa grande corporação ou empresa estatal o modelo, de certa forma, se replica. Havendo descontentamento por qualquer razão com relação a um gestor, diretor ou outro, ele simplesmente será convocado ao departamento de RH para receber o seu bilhete azul.

E agora, caro leitor, como isso se passa em uma empresa familiar? Poderá o filho ou um parente do "dono" simplesmente ser convidado a se retirar da organização? É óbvio que não. O processo é muito mais complexo, chegando ao quase impossível de ser realizado.

Vamos analisar alguns aspectos que, de uma forma ou de outra outra, atingem os membros de uma família empresarial. Em primeiro lugar, a família ou o "dono" deverão definir se os familiares terão o direito de trabalhar na empresa. Não o tendo, uma série de problemas poderão ser evitados e o caminho para uma vida familiar harmônica poderá ser pavimentado. Não haverá filhos ou herdeiros gestores, mas, sim, os descendentes como controladores do negócio familiar. Para isso, poderão receber treinamento específico e ser membros do conselho da empresa. Muitas empresas centenárias serpenteiam diversas gerações nessa forma de conduzir a questão.

De outro lado, temos famílias que optam por admitir filhos e parentes a participar da gestão dos negócios. Neste caso, o flanco está aberto para embates, conflitos e dissabores. Um dos primeiros aspectos a serem analisados é o critério da competência. Será que todos os familiares são competentes? É justo admitir um jovem de um núcleo familiar e não admitir o seu primo ou irmão por ser  menos competente? Quem fixa os critérios de competência para familiares? Uma segunda questão é a remuneração. Geralmente, os pais querem ser justos e intencionam remunerar todos os filhos com ganhos similares. Isso pode gerar um grande potencial de conflitos futuros. Não são todos os filhos que têm a mesma avidez pelo trabalho e a mesma dedicação.

Muitas famílias creem que os familiares são honestos e preferem trabalhar com honestos em detrimento de pessoas que desconhecem, mas que podem ser muito mais competentes. Qual a surpresa quando surgem casos de desonestidade em relação à própria empresa da família? O que fazer? Grave é quando a desconfiança começa a reinar entre irmãos. São vidros que se quebram e dificilmente o vaso poderá ser reparado. Pelos poucos exemplos dados, vemos como a questão de familiares trabalhando na empresa pode ser muito difícil de ser resolvida, chegando ao ponto de o desligamento do familiar ser a melhor alternativa.

É de muita importância que as famílias empresariais desenvolvam e revejam, de tempos em tempos, os protocolos familiares que regulamentam essas questões, como por exemplo conteúdos que versam sobre a remuneração de familiares, admissibilidade, desligamento e assim por diante. Na maioria das empresas familiares brasileiras, formar equipes de gestores com membros da família é uma grande dor de cabeça.

 

 


Publicidade