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Corrupção tóxica

Empresários, senadores, deputados, governadores pararam atrás das grades


postado em 02/12/2018 05:02

A palavra do ano 2018 do Dicionário Oxford foi tóxico. O vocábulo aparece em duas acepções. Uma, em sentido denotativo: entorpecente (droga). A outra, na acepção conotativa: o poder de deteriorar. Usada como adjetivo, transmite ao nome a ideia de apodrecimento que se aprofunda com o passar do tempo. É o caso de matrimônio tóxico, relação tóxica, amizade tóxica.

Corrupção não aparece no rol de exemplos apresentado na obra. Explica-se: a publicação é inglesa e, na terra da rainha, o mal está longe de ganhar a dimensão que exibe no Brasil. Dado da Organização das Nações Unidas (ONU) informa que o país perde, por ano, cerca de R$ 200 bilhões com esquemas de desvio do dinheiro público. São recursos que engordam contas bancárias de poucos em detrimento da educação, da saúde, da segurança, do saneamento de mais de 200 milhões de pessoas.

A prática, de tão rotineira, foi naturalizada no país. Era como o suceder dos dias e das noites, a mudança das estações do ano, a troca das fases da Lua. O slogan “rouba, mas faz” perdeu a carga negativa e passou a ser usado como elogio a político que, embora avance com apetite no erário, cumpre o papel para o qual foi eleito. Em bom português: roubar seria fatalidade contra a qual não há como lutar. Conviver com ela era a receita.

Falso. Com a Operação Lava-Jato, a novela começou a mudar o enredo. Pela primeira vez na história, não só preto e pobre conheciam o rigor da lei. Bandidos do colarinho branco descobriram que o pau que bate em Chico bate em Francisco. Empresários, senadores, deputados, governadores pararam atrás das grades. Alguns, como Delcídio Amaral, no exercício do mandato. O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva cumpre pena em Curitiba.

Na quinta, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, acusado de herdar o esquema de corrupção que lhe teria rendido R$ 40 milhões quando era vice de Sérgio Cabral, saiu do Palácio das Laranjeiras no camburão da Polícia Federal. Segundo o Ministério Público, o montante da propina daria para pagar vencimentos de 22 mil servidores. Ao mesmo tempo em que Pezão prestava depoimentos, o Supremo Tribunal Federal julgava o processo que questionava a legitimidade do indulto a presos concedido pelo presidente Temer no ano passado.

Um pedido de vista do ministro Luiz Fux impediu que corruptos de carteirinha ganhassem a liberdade antes de cumprir a pena. Foi decisão importante. Impõe-se deixar claro que o crime não compensa. Quem aposta na impunidade tem exemplos para reprimir impulsos. Os eleitos que assumem o mandato em 2019 vêm com o compromisso de fazer a leitura correta do tempo. A sociedade, ao ir às urnas, disse não à corrupção.

 


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