Acordar cedo em pleno sábado para dar um passeio pelas ruas e ver a arquitetura da cidade. Entre fotos e selfies, parar numa cafeteria e decidir a programação do dia lendo o caderno de cultura de um jornal impresso. A família resolve passar em algumas galerias de arte privadas para ver o que está acontecendo, já pensando onde almoçará. As crianças ficam maravilhadas com as obras de arte e não se furtam em perguntar sobre as peças. O diálogo da família passa por diferentes assuntos do cotidiano. Os pais aproveitam a oportunidade para garantir cultura aos filhos, enquanto são aconselhados por outros clientes a ir ao museu. Entre museus e galerias, ainda sobrou tempo para um piquenique no parque antes de voltar ao hotel. Depois de um breve descanso, se arrumam para um programa musical gratuito na praça central.
A maior parte dos leitores pode ter pensado que o cenário dessa história era Paris, Roma ou Nova York. É comum viajar para o exterior para conferir exposições de arte, passear em uma praça pública e observar a arquitetura local. O que é muito estranho é ver famílias escolherem essas experiências no exterior e não realizar tais ações em seu dia a dia no Brasil. Nem mesmo a justificativa de custos ou de poucas opções é plausível. Existe uma série de atividades culturais gratuitas ou subsidiadas. A quantidade de atividades entre cinemas, arquitetura, teatro, dança, artes plásticas, museus e música não cabe nos fins de semana disponíveis. Mesmo os espaços privados também proporcionam uma visitação gratuita.
Em São Paulo, é comum observar famílias passeando por galerias de arte aos fins de semana, mesmo que estas não tenham cliente.
Em Belo Horizonte, a maior parte dos espaços culturais está dentro do limite da Avenida do Contorno. Se por um lado isso é ruim, em função da distância excludente desses lugares à periferia, por outro, permite fazer um percurso cultural a pé. Da Praça da Estação é possível ir à Funarte. Passando pelo parque municipal chega-se ao Palácio das Artes. No caminho até o Circuito Cultural da Praça da Liberdade estão o Museu Mineiro, o Museu da Moda, o Museu Inimá de Paula, Museu da Imagem e do Som, a Academia Mineira de Letras, o teatro do Izabela Hendrix e o Centro Cultural do Banco do Brasil. A Praça da Liberdade dá acesso a vários equipamentos culturais, chegando, por fim, à Savassi e todas as atividades culturais locais. Nesse trajeto estão as melhores galerias de artes plásticas de BH.
Não sei se é por medo ou pela própria arquitetura das galerias ou espaços culturais, mas muitas pessoas têm receio de entrar nesses espaços. É impressionante ver como as grandes portas do Palácio das Artes, mesmo abertas, não absorvem a população que passa em frente.
Valorizar a cultura local e usar os espaços públicos para oferecer entretenimento aos filhos é garantir às gerações futuras a apropriação do que é nosso. Quem sabe, assim, pode-se conquistar coesão social. Quem sabe, assim, podem-se resolver problemas em vez de fugir do país. É uma oportunidade de garantir aos filhos um olhar crítico para o mundo em que vivem. É proporcionar que eles sejam melhores.
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